Rio de Janeiro, 22 de Agosto de 2026

Estadão presta desserviço à reforma política

Sábado, 15 de Janeiro de 2011 às 09:05, por: CdB

É injusta, errada, demagógica e populista a crítica que o Estadão faz nesse editorial "A farra dos fundos partidários" - o principal de sua página 3 de hoje - e a linha geral que a mídia tem imprimido ao noticiário nos últimos dias sobre a elevação das verbas do fundo partidário decidida pelo Congresso Nacional.

O Estadão começa seu editorial com a afirmação de que "numa democracia ideal, os partidos políticos se sustentariam exclusivamente com as contribuições dos cidadãos, excluídas empresas e associações de qualquer natureza." Uma utopia! Afirma, também, que "no Brasil, o uso dos recursos oficiais para arrimar os partidos se consubstanciou na criação do Fundo Partidário".

Na sequência, acentua que, mesmo assim,  "o Congresso tem a prerrogativa de elevar os montantes já corrigidos..." e que os partidos acionam o Fundo Partidário para quitar dívidas de campanha "como se (estas) correspondessem a despesas de custeio da organização (partidária) e não a verdadeiros investimentos para a conquista do poder".

Editorial está recheado de avaliações erradas


Tudo errado, pelo menos no caso do PT. Nosso partido aplica, e bem, os recursos do fundo partidário e uma amostra clara disso é, por exemplo, a Perseu Abramo, a fundação de estudos do partido que edita livros, promove conferências, seminários e encontros para debates econômicos, políticos e sociais e tem um centro de documentação histórica.

Para fazer uma boa análise para vocês, temos que começar destacando ser equivocada a maior parte do que o editorial traz em termos de informação - pelo menos em relação ao PT. Para apontar outro exemplo de incorreção, não é verdade que todos os países democráticos, inclusive os da América Latina,  têm fundos partidários e financiamento público das campanhas eleitorais exclusivo, ou misto, com os recursos privados.

Por isso, se pensou contribuir, o jornalão da família Mesquita, com esse editorial, prestou um desserviço à reforma política que logo será deflagrada pelo governo Dilma Rousseff . Esta sim, a reforma que deverá instituir entre nós o financiamento público de campanhas eleitorais.


 

 

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