Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Estabilização da Moeda, Itamar e FHC: Nada a ver

Quarta, 06 de Julho de 2011 às 12:01, por: CdB

Por Inflator 06/07/2011 às 16:59

A inflação foi domada não por boa vontade política ou por inteligência do FHC, mas porque a classe trabalhadora perdeu forças e o capital financeiro triunfou sobre o capital produtivo.

FHC é tido como o homem que, se compadecendo dos pobres, estabilizou a moeda através da elaboração e adoção do plano real, domando a inflação e supostamente aumentando o poder aquisitivo dos trabalhadores.

Eu sempre questionei porque o Itamar Franco e o FHC foram supostamente bom para os pobres e os governos anteriores a eles foram ruins. O FHC foi bom para os pobres porque foi mais inteligente do que os governos anteriores e/ou porque teve boa vontade política, enquanto os governos anteriores não tiveram vontade política de acabar com a inflação ou não tiveram inteligência para fazê-lo? Eu sempre achei que a estabilização da moeda tinha sido fruto de uma correlação de forças mais favorável à classe trabalhadora, e não uma dádiva do governo burguês do Itamar Franco e do FHC. Afinal, se quando o governo burguês quer conter a inflação, ele freia o consumo através da elevação da taxa de juros, como foi que o FHC conseguiu supostamente aumentar o nível de consumo dos trabalhadores reduzindo a inflação e baixando a taxa de juros?

Mas agora eu dei conta do meu equívoco. A burguesia estabilizou a moeda, isto é, a burguesia reduziu sensivelmente o nível inflacionário não porque a correlação de forças entre a burguesia e a classe trabalhadora ficou mais favorável a esta última classe, mas, ao contrário, porque ficou pior. O controle da inflação não decorreu do aumento do poder de pressão da classe trabalhadora, mas da redução desse poder de pressão. É que a burguesia usa a inflação como instrumento de controle social, para arrefecer o movimento operário. Quando o movimento sindical se enfraqueceu e o bloco soviético veio abaixo, a inflação não era mais necessária, a inflação deixou de ser útil como instrumento regulador da luta de classes. Por outro lado, essa correlação de forças mais desfavorável à classe trabalhadora ocorreu a mesmo tempo em que, nas lutas intestinas da burguesia, o capital improdutivo se fortaleceu em frente ao capital produtivo.

De acordo com Antonio Luiz Costa, "dos anos 80 em diante, economistas neoliberais (principalmente os da escola austríaca de Mises e Hayek) procuraram restabelecer a hegemonia teórica do aumento do volume de papel-moeda como causa única (e sinônimo) de inflação, tese que veio a ser chamada de monetarismo. Seu próprio êxito parcial pode ser interpretado como decorrente de mudanças do cenário político e social: por exemplo, o enfraquecimento do movimento sindical e o colapso do bloco soviético criaram condições que tornaram menos útil o jogo de aumentos nominais de salário versus inflação. Antes instrumento regulador da luta de classes, agora podia ser substituída pelo confronto direto com as reivindicações trabalhistas. A nova correlação de forças favoreceu os interesses do capital financeiro - cujo interesse como grande credor sem acesso direto a ativos reais é geralmente o da estabilidade monetária - contra o do capital agrícola, industrial e comercial - que, como devedores em dinheiro e possuidores de ativos reais, tendem a ganhar com uma inflação moderada, que além do mais lhes dá mais flexibilidade para manipular preços e salários."
 http://antonioluizcosta.sites.uol.com.br/inflacao.htm

Em sendo assim, Itamar Franco e FHC não têm qualquer mérito pela estabilização da moeda. Se à época o Presidente do Brasil fosse um macaco e o Ministro da Fazenda fosse uma anta, a inflação seria domada do mesmo jeito. O fato do Itamar Franco ser presidente à época e o FHC, ministro da fazenda, foi mera coincidência. A inflação foi domada não por boa vontade política ou por inteligência do FHC, mas porque a classe trabalhadora perdeu forças e o capital financeiro triunfou sobre o capital produtivo.

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