Rio de Janeiro, 05 de Setembro de 2026

Estabilidade e reeleição são metas políticas de Lula

Sábado, 30 de Abril de 2005 às 05:59, por: CdB

Foi para sua própria base política a principal mensagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na entrevista desta sexta-feira. Lula optou pela consolidação dos fundamentos da economia brasileira, mesmo que isso implique na redução da expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Lula quer que o PT e seus aliados se adaptem a essa agenda.

Preparar uma retomada suave do crescimento em 2006, ano da reeleição, é a meta política de Lula, com vistas a um segundo mandato com crescimento continuado, e no qual os grandes objetivos sociais do programa do PT possam ser perseguidos com mais segurança. A possibilidade de cortar despesas públicas ficou mais concreta, apesar das pressões dos políticos por mais investimentos sociais e na infra-estrutura.

Embora não tenha abordado diretamente a questão, Lula está decidido a sustentar a rigidez fiscal, em complemento à política monetária, o quanto for necessário para, como disse na entrevista, "consolidar a estrutura produtiva e econômica" do país.

A base partidária do presidente, especialmente o PT, terá de se adaptar a essa contingência. O governo precisa recuperar e manter a estabilidade política, para não comprometer a estratégia da equipe econômica. Nesse momento, o principal foco de riscos está na Câmara dos Deputados, onde o governo ainda não estabeleceu normas de convivência com o presidente Severino Cavalcanti (PP-PE).

Lula teve de frisar, na entrevista, que Severino é um aliado, apesar das evidências em contrário. "O partido dele faz parte da base aliada", afirmou. Mesmo admitindo que o governo "possivelmente errou" por não ter conseguido um presidente da petista na Câmara, Lula não fez nenhuma crítica a Severino.

Fontes do governo sustentam que, embora não se caracterize ainda um quadro de crise, a indefinição sobre o comando político e a agenda das votações na Câmara é potencialmente perigoso. Nesse ambiente podem prosperar teses desestabilizadoras, como a proposta lançada pelo próprio Severino, de interferir nas decisões do Copom.

Também há indefinições, embora menores, no Senado, onde o governo depende do apoio do PMDB em todas as votações. Uma disputa midiática entre Severino e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), nascida desta instabilidade, contribui para aumentar o risco político.

A convenção do PMDB em junho e a eleição interna do PT para a presidência do partido, em setembro, são outros fatores que aumentam o quadro de incertezas que Lula quer ver superado.

Tags:
Edições digital e impressa