Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Está chegando a hora...

Por Mário Augusto Jakobskind - Enquanto se aproxima a data e hora do primeiro turno da eleição presidencial, 5 de outubro, a campanha dos candidatos gira em função das pesquisas eleitorais apresentadas pela grande mídia pelo menos duas vezes por semana.

Sexta, 19 de Setembro de 2014 às 14:18, por: CdB
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Vai chegando o primeiro turno das eleições e são as sondagens que comandam o espetáculo
Enquanto se aproxima a data e hora do primeiro turno da eleição presidencial, 5 de outubro, a campanha dos candidatos gira em função das pesquisas eleitorais apresentadas pela grande mídia pelo menos duas vezes por semana. Cada pesquisa mais próxima do primeiro turno mostra que a candidata Marina Silva, a nova preferida de setores conservadores, está com os percentuais se esvaziando. O que se questiona agora é se os índices anteriores, que chegavam a apontar para uma diferença de dez pontos em favor de Marina contra Dilma Rousseff, correspondiam mesmo à realidade ou os números estavam inflados. Marina Silva, que se apresenta como candidata da “nova política” tem se posicionado de forma muito próxima do candidato do PSDB, Aécio Neves. Os economistas dos dois candidatos, segundo o noticiário, até já se reuniram para trocar figurinhas. Aécio Neves em um determinado momento da campanha chegou a anunciar que Armínio Fraga seria o seu Ministro da Fazenda caso fosse eleito. Já Marina Silva tem a tiracolo outro economista de linha neoliberal, de nome Eduardo Gianoti da Fonseca, que difere pouco de Fraga em matéria de endeusamento do mercado. A candidata Marina, que já disse em sua propaganda eleitoral ser oriunda de uma família que passou fome no seringal no Acre, jurou por tudo que era sagrado que não ia acabar com a Bolsa Família. Aécio Neves, com menos pompa, também garantiu manter a iniciativa. Apesar disso, os detentores do Bolsa Família seguem ressabiados com os dois candidatos. Mas em outros pontos programáticos, Marina Silva está cada vez mais Aécio Neves. O coordenador da candidata, o ex-tucano Walter Feldman, não fez por menos e anunciou que Marina pretende mudar o modelo de partilha do petróleo brasileiro em benefício das empresas estrangeiras. A dupla Feldman–Marina e seus economistas defendem o que a mídia conservadora sempre defendeu, ou seja, que o modelo petrolífero retorne aos tempos de Fernando Henrique Cardoso, ou seja, o modelo de concessão, de total favorecimento às empresas multinacionais. Marina Silva foi mais adiante e anunciou que se eleita o Banco Central será independente, o que significa na prática que os banqueiros vão ter ainda maiores facilidades. Outro ponto que nos debates com os candidatos pouco aparece é a questão da política externa. O que fariam Aécio Silva e Marina Neves neste campo? Em relação ao BRICS e a integração latino-americana, além do MERCOSUL, que propostas têm os dois candidatos? Avançariam ou recuariam? Pelos antecedentes e pelo palavreado dos dois, a resposta não é difícil de aparecer. Uma coisa é certa, sendo reeleita, Dilma Rousseff aprofundaria, como tem feito até agora, as iniciativas, o que tem deixado furiosos os barões da mídia, defensores históricos de posições de interesse dos países ricos. Quem tiver dúvidas a esse respeito deve acompanhar as manifestações das Organizações Globo. O grupo chega a divulgar editoriais contra a candidata que tenta se reeleger. Mas para aparecer como “imparcial”, se é que ainda engana nesse sentido, prefere não se posicionar em favor de um ou outro candidato, como já fez o jornal O Estado de S. Paulo em 2010 ao apoiar oficialmente o então candidato tucano José Serra. O jornal O Globo parece viver um dilema, se apoia Marina Silva ou Aécio Neves ou prefere mesmo que Marina seja Neves e Aécio Silva, para que na hora de definição necessária possa optar por quem verdadeiramente tiver mais chances de se contrapor a Dilma Rousseff. Segundo indicam as pesquisas será mesmo Marina Silva em um eventual segundo turno a 26 de outubro. Eventual sim, porque a resposta só se saberá na noite de 5 de outubro depois de se conhecer o resultado da eleição. Nos debates, alguns candidatos nanicos têm se revelado até mais realistas do que os tradicionais. O Pastor Everaldo, por exemplo, conseguiu os seus minutos de fama aparecendo como fundamentalista religioso e adepto radical do estado mínimo. Na verdade, está a demonstrar que se trata de uma excrescência política. Outros dois, o que se apresenta como democrata cristão, Emayel, e outro, Levy Fidelix, também conservadores, estão mais para personagens de humor televisivo do que candidatos. Os quatro mais a esquerda, do PSOL, Luciana Genro, José Maria, do PSTU, do PCO, Rui Pimenta, além de Mauro Iasi, do PCB, não saíram das frases de efeito de uma pequena burguesia radicalizada. Já Eduardo Jorge, do PV, Eduardo Jorge, não fica muito atrás no verde. E assim caminha a eleição presidencial, sem até agora os candidatos(a)s se posicionarem na questão da mídia. O pastor fundamentalista de extrema direita, repetindo um refrão mentiroso dos barões da mídia remeteu a questão da regulação da mídia à censura. É a forma que ele encontrou, da mesma forma como os barões midiáticos, para evitar a discussão da matéria, que praticamente inexiste na pauta dos debates com os candidatos. E assim caminha a eleição presidencial com brasileiros e brasileiras aguardando o desenrolar dos acontecimentos, isto é, o resultado para saber quem ocupará o Palácio do Planalto nos próximos quatro anos. Mário Augusto Jakobskind, jornalista e escritor, correspondente do jornal uruguaio Brecha; membro do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (TvBrasil); preside a Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da ABI – seus livros mais recentes: Líbia – Barrados na Fronteira; Cuba, Apesar do Bloqueio e Parla (no prelo). Direto da Redação é um fórum de debates, do qual participam jornalistas colunistas de opiniões diferentes, dentro do espírito de democracia plural, editado, sem censura, pelo jornalista Rui Martins.
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