Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Esquerda revolucionária vence as eleições presidenciais em El Salvador

Segunda, 10 de Março de 2014 às 10:01, por: CdB
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Cerén foi eleito para a Presidência da República de El Salvador
Com 100% das urnas processadas, o tribunal eleitoral de El Salvador apontou, nesta segunda-feira pela manhã, a vitória de Sánchez Cerén, da Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional (FMLN), de esquerda, por estreita margem sobre a direita salvadorenha, representada pela Arena. O FMLN obteve 50,11% dos votos, contra 49,89%. Havia, ainda, a expectativa se a Arena aceitará, pacificamente, os resultados, e uma tentativa de golpe de Estado não foi descartada por observadores internacionais. Mediram forças, nas urnas, o ex-chefe guerrilheiro Salvador Sánchez Cerén, da socialista FMLN, e o dentista Norman Quijano, da direitista Alianza Republicana Nacionalista (ARENA), que no dia 2 de fevereiro foram os mais votados dentre cinco candidatos, mas não alcançaram mais da metade dos votos válidos que segundo a lei local são necessários para ser proclamado o vencedor. O crescimento econômico, de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) – o menor da América Central e um dos menores de todo o continente americano – será um dos desafios do próximo governante. – Nisso trabalharemos junto às demais forças de El Salvador – disse Oscar Ortiz, candidato à vice-presidência pela FMLN, que reconhece o esforço que deve ser mantido para acabar com a exclusão de grande parte da sociedade, bem como para combater a bandidagem e o crime organizado que atinge El Salvador. A FMLN e a ARENA foram inimigos mortais durante a guerra civil (1980-1992), e continuam sendo no pós-guerra, só que os tiros foram substituídos por confrontações ideológicas que se manifestam nas acusações, ofensas verbais e calúnias, algumas das quais se resolvem nos tribunais de justiça, como o recente pleito entre o presidente Mauricio Funes e dois deputados arenistas – Ana Vilma de Escobar e Roberto D´Aubuisson – a quem o mandatário demandou porque em declarações públicas sujaram seu nome e imagem, ao chamá-lo de alcoólatra, viciado em droga e de ter uma vida desregrada, segundo a denúncia. Para além do foco pontual da polarização local, o ex-embaixador norte-americano em San Salvador, William Walker, outrora considerado inimigo da FMLN, agora reconhece este agrupamento como um partido democrático, bem como sua evolução de buscar o governo em eleições gerais. De visita atualmente neste país, Walker assegura ter a impressão de que "a FMLN pertence ao mundo democrático". – E como digo em um artigo (publicado no The New York Times), não estou recomendando que a gente vote pela FMLN, só estou dizendo que, se eles mudarem, as relações com os Estados Unidos devem ser como com qualquer outro país – assinalou. Diferentemente de Walker, que atuou como embaixador entre 1988 a 1992, outros ex-funcionários conservadores do Departamento de Estado dos Estados Unidos, como Elliot Abrams e Roger Noriega, vêem perigo na ascensão da FMLN novamente ao governo por sua suposta relação com a guerrilha colombiana, bem como por suas alianças com Cuba e Venezuela. Há 4,9 milhões de cidadãos inscritos como eleitores; a isso teria que restar quase meio milhão de pessoas que não possuem ou não renovaram seu Documento Único de Identidade, com o que se exerce o sufrágio, pelo que não poderão votar nos mais de 1,6 mil centros de votação instalados.
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