Esquerda precisa voltar ao trabalho de base, alerta Levante Popular da Juventude
"Muito se falou em voto útil (da esquerda), mas foi a direita que conseguiu concretizá-lo, com a migração de votos de Marta Suplicy e Celso Russomano para Doria”, diz coordenador do Levante
"Muito se falou em voto útil da esquerda, mas foi a direita que conseguiu concretizá-lo, com a migração de votos de Marta Suplicy e Celso Russomano para Doria”, diz coordenador do Levante
Por Redação, com Sarah Fernandes/RBA - de São Paulo
A partir do cenário político forjado nas eleições municipais, marcado por ascensão conservadora nas prefeituras do país, a esquerda deve retomar suas "atividades clássicas". Se voltar para o trabalho de base e para ampliar a inserção nas periferias, como defende o movimento social Levante Popular da Juventude.
O Levante Popular da Juventude vê a necessidade de se retomar os trabalhos de base
– As organizações devem montar uma intensa agenda que retome atividades clássicas que são o trabalho de base. Buscar o diálogo com as pessoas e a inserção das periferias. Em São Paulo, Fernando Haddad não conseguiu vencer em nenhum bairro, nem nas periferias, onde estavam os votos do PT. Isso ocorreu porque a esquerda se desconectou do trabalho com o povo. É preciso agir, ir para as ruas, retomar o trabalho sabendo da posição que a esquerda está derrotada. É preciso levantar a cabeça e ir para o trabalho – afirma Thiago Pará. Ele membro da coordenação nacional do Levante da Juventude.
Retaguarda estratégica
O movimento de esquerda acredita que, além da retomada do trabalho de base, a esquerda precisa fazer sua autocrítica.
– Não conseguimos enxergar essa movimentação que os partidos de direita vêm construindo e não conseguimos preparar uma retaguarda estratégica. Precisamos iniciar um processo de autocrítica mais preocupado em encontrar os erros do processo do que em pôr a culpa em possíveis responsáveis – afirma Thiago.
Entre o que o Thiago chamou de "ofensiva avassaladora da direita", está uma campanha fortalecida pela mídia de "combate à política". Esta levou aos índices elevados de abstenção e votos brancos e nulos.
– É um linchamento político que vem acontecendo há algum tempo pela mídia, setores do Judiciário e outros. A Lava Jato teve o objetivo claro de desgastar as candidaturas de esquerda e do PT. Isso se refletiu no alto índice de abstenções e nos resultados. O PSDB é o velho partido, com uma velha prática travestida de nova – avalia o militante.
Em São Paulo, Thiago repercute a divisão da esquerda como uma das principais causas para a derrota de Fernando Haddad.
– A esquerda falou muito em voto útil, mas foi a direita que conseguiu concretizá-lo, com a migração de votos de Marta Suplicy e Celso Russomanno para Doria, já que os três estão sintonizados com o sentimento antipetista em São Paulo – disse.
Já no Rio de Janeiro, na avaliação do movimento, houve uma disputa mais equilibrada entre os candidatos conservadores, o que permitiu a Marcelo Freixo (Psol) ir para segundo turno. Lá, o voto útil (dos simpatizantes de Jandira Feghali, do PCdoB em Freixo) favoreceu a esquerda.
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