Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Esquerda petista lança candidato à presidência da Câmara

Quinta, 09 de Dezembro de 2004 às 16:42, por: CdB

Com apoio da esquerda do PT, o deputado Walter Pinheiro (BA) lançou sua candidatura à presidência da Câmara na tentativa de fortalecer seu nome à sucessão do deputado João Paulo Cunha (PT-SP).

"O próximo presidente da Câmara tem que ter um papel de magistrado, ele não pode representar só o PT, tem que representar os diversos atores da Câmara. A voz do presidente tem que ser uma média da Casa", afirmou Pinheiro a jornalistas nesta quinta-feira.

Apesar da antecedência de dois meses para a eleição na Câmara, Pinheiro é o nome com mais votos na bancada por agregar os cerca de 30 dos 90 deputados da bancada. Tradicionalmente, cabe ao partido com o maior número de deputados indicar o presidente da Câmara.

O deputado baiano, no entanto, não é o postulante mais forte. Os líderes do PT, Arlindo Chinaglia (SP), e do governo na Câmara, Professor Luizinho (PT-SP), além do deputado Paulo Bernardo (PR) são apontados por parlamentares da base aliada como os nomes com mais trânsito nos demais partidos. Também são os mais ligados ao Palácio do Planalto.

A indicação de Pinheiro, que tem a simpatia da bancada evangélica da Câmara, é explicada como uma iniciativa para fazer com que as vozes da ala mais à esquerda do PT tenham mais força dentro do governo.

"Nossa bancada na Câmara tem desempenhado um papel de coadjuvante. Ela tem de ser ouvida para tomar as decisões, discutir a política econômica, a política social para não termos que ser constrangidos a votar algo como a MP do Meirelles", afirmou o deputado Dr. Rosinha (PR), ao lado de Pinheiro.

O tema da eleição da presidência da Câmara foi o responsável pela paralisia de pelo menos três meses de votações na Casa. Os partidos da base governista se rebelaram contra a iniciativa de João Paulo de reapresentar a proposta de emenda constitucional que permitiria a reeleição dos presidentes das duas Casas do Congresso, apesar de ela ter sido derrotada em maio.

A peça-chave da desaceleração do ritmo das votações foi o PMDB. O líder do partido no Senado, Renan Calheiros (AL), trabalhou pela derrota da proposta porque almejava suceder o atual presidente José Sarney (PMDB-AP).

Só recentemente o Planalto desistiu da idéia da reeleição, quando João Paulo anunciou sua desistência de reapresentar a emenda da reeleição.

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