Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Esquerda entra dividida no apoio a Dilma e prega voto nulo

Domingo, 12 de Outubro de 2014 às 13:57, por: CdB
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O professor Mauro Iasi, candidato do Partido Comunista Brasileiro à Presidência da República, prega o voto nulo Mauro Iasi é cientista político A Folha do Trabalhador é editado pela Liga Comunista (clique para ampliar) O PCO edita o jornal do partido
O volume de votos brancos, nulos ou a simples abstenção nas urnas tende a aumentar, caso os eleitores da esquerda brasileira sigam a orientação de seus principais líderes. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o número de eleitores que anularam o voto ou votaram em branco no primeiro turno das eleições para presidente da República chegou a 9,6%, enquanto nas eleições de 2010, a porcentagem foi de 8,6%. Exceto o Partido Comunista do Brasil e demais legendas de orientação marxista que concorrem ao segundo turno, no arco de alianças do Partido dos Trabalhadores (PT), de centro esquerda, a maioria das demais legendas e tendências independentes optou por pregar o voto nulo. Na votação do último domingo, 4,4 milhões de pessoas votaram em branco, número correspondente a 3,8% do total de votos válidos. Já o número de eleitores que anularam o voto chegou a 6,6 milhões – 5,8% do comparecimento. Somados, brancos e nulos superam 11 milhões. Segundo o candidato a presidente do Partido Comunista Brasileiro (PCB), o cientista político Mauro Iasi, este é um reflexo da realidade social brasileira. – A esquerda ficou isolada pela predominância do oportunismo. A retomada das lutas dos trabalhadores será proporcional à crise que se agravará e com a retomada das lutas a esquerda retomará sua força – afirmou, em entrevista exclusiva ao Correio do Brasil.
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O PCB, de linha marxista-leninista, reuniu sua direção neste fim de semana e "decidiu pelo voto nulo no segundo turno", afirmou Iasi, que aponta erros na condução política do país, ao longo dos mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da atual mandatária, Dilma Rousseff, como causas da derrota para a extrema-direita na formação do novo Congresso. – O resultado das eleições e a nova composição do parlamento mostram uma acentuação do conservadorismo. Acredito que é o resultado de uma profunda despolitização provocada por 12 anos de um pacto social que contribuiu para que os trabalhadores perdessem a autonomia e independência de classe. Provocou-se a direita e desarmou-se a classe trabalhadora – afirmou o professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ). Seja qual for o presidente da República que emergir das urnas, no próximo dia 26, segundo Mauro Iasi, o país passará por momentos difíceis. – Independentemente do resultado das eleições, o próximo presidente fará ajustes que implicarão na intensificação da exploração e do ataque aos direitos dos trabalhadores – acentua. Menos no Aécio A candidata do PSOL ao Palácio do Planalto, Luciana Genro, logo após conhecer o resultado das urnas, também se posicionou, junto com o partido, pela liberação do voto de seus simpatizantes, desde que evitem o número 45. Apoiada por unanimidade na Convenção Eleitoral do partido e por facções como o Partido Comunista Revolucionário (PCR), o Polo Comunista Luiz Carlos Prestes (PCLCP), a Refundação Comunista e as Brigadas Populares, Luciana Genro é signatária do documento, no qual se posiciona contra a eleição do candidato Aécio Neves. "Um segundo turno, quando não nos sentimos representados nele, é muitas vezes mais do veto que do voto. Entendemos que Aécio Neves, o seu PSDB e aliados são os representantes mais diretos dos interesses da classe dominante e do imperialismo na América Latina. O jeito tucano de governar, baseado na defesa das elites econômicas e nas privatizações, com a corrupção daí decorrente, significa um verdadeiro retrocesso. A criminalização das mobilizações populares e dos pobres empreendida pelos governos tucanos, em especial o de Alckmin, nos coloca em oposição frontal ao projeto do PSDB e aliados de direita. Assim, recomendamos que os eleitores do PSOL não votem em Aécio Neves no segundo turno das eleições presidenciais. Não é cabível qualquer apoio de nossos filiados à sua candidatura", diz o manifesto.
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Voto em Dilma Para a Liga Comunista (LC), facção de tendência trotskista, diferentemente do PSOL e do PCB, é preciso "votar em Dilma para derrotar Aécio, a direita e a nova ofensiva do imperialismo". A Liga Comunista, que edita o jornal Folha do Trabalhador, deliberou por votar em Dilma em 2014, embora mantenha as críticas ao programa e "aos governos capitalistas do PT". "Nosso objetivo é fazer o que estiver ao nosso alcance para não permitir a vitória de Aécio Neves, a candidatura preferencial da direita golpista e da nova ofensiva do imperialismo. Nossa mudança de tática em relação a posição que adotadamos nas eleições de 2010 se deve a nova ofensiva mundial imperialista, cujo ponto de inflexão na America Latina foi o golpe de Estado armado pela CIA em Honduras em 2009, seguido pela destituição de Lugo no Paraguai em 2012, para não falar nas ações golpistas na Líbia, Egito, Síria e Ucrânia, ofensiva que possui uma explícita continuidade na atual disputa eleitoral brasileira. Os EUA desejam ampliar de forma qualitativa o controle que possuem sobre o Brasil, que foi relativamente abalado porque a crise econômica mundial de 2008 fez com que o país reorientasse seu comercio exterior com a China e a Rússia", afirma o manifesto. Mais voto nulo Presidente nacional do PSTU, também de orientação trotskista, e candidato do partido ao Palácio do Planalto, Zé Maria anunciou na sexta-feira, por meio de nota do partido, que sua legenda não apoiará nenhum candidato no segundo turno da eleição presidencial. Zé Maria afirmou entender “as razões que levam ainda muitos trabalhadores a acharem que é melhor votar em Dilma para derrotar Aécio Neves”, mas recomendou o voto nulo à militância. Segundo o dirigente, a legenda que preside defende “um programa operário e socialista para o país”, e o segundo turno “será disputado por dois candidatos – Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) – que não defendem este programa”. O também trotskista Partido da Causa Operária (PCO) segue na mesma direção. Candidato da legenda à Presidência da República pela quarta eleição consecutiva, Rui Costa Pimenta afirmou que a diretriz geral da legenda é votar nulo no segundo turno. – Há uma opinião praticamente unânime de que a gente deveria votar nulo – disse.
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