Em maio haverá eleições no País Basco, e até lá, a perspectiva é que a esquerda consiga compor uma frente popular
17/01/2011
Janaina Stronzake
Bilbao, País Basco
Pela soberania alimentar, por um feminismo transformador, contra os transgênicos, pela soberania política popular. Esses são alguns dos pontos do Acordo País Basco Desde a Esquerda (Euskal Herría Ezkerretik), firmado por três partidos da esquerda basca – Alternatiba, Eusko Alkartasuna e Izquierda Abertzale – frente um auditório com cerca de 700 pessoas, no dia 16 de janeiro, em Vitoria Gazteis, capital do País Basco.
“Por um País Basco soberano e solidário”, assim definiu Oskar Matute, portavoz de Alternatiba, o caminho iniciado com esse acordo.
Nesse momento há um processo de criminalização das esquerdas, cuja justificativa é a atuação do grupo terrorista ETA. São cerca de dois mil exilados/as, e 700 presos e presas, com acusações relacionadas às atividades terroristas do grupo ETA, ainda que não todos e todas pertençam efetivamente ao ETA.
O partido político que era publicamente ligado ao grupo armado, Batasuna (Unidade, em euskera), fundado em 2001, passou a ser considerado ilegal em 2003. Desde então, principalmente, o partido Izquierda Abertzale (Esquerda Nacionalista) tem congregado cerca de 15% do total de votos, que rondam os 160 mil.
Em maio haverá eleições no País Basco, e até lá, a perspectiva é que a esquerda consiga superar a atomização e compor uma frente popular.
No ponto que trata da independência, o que os partidos têm construído conjuntamente é exigir um referendo popular, para que o povo basco decida se quer ou não a independência frente à Espanha.
Algumas análises indicam que o governo central da Espanha, hoje com o Partido Socialista, não cede no tema da consulta popular por dois motivos. Econômico: já que os dois estados (Comunidades Autônomas) onde o tema ganha relevância, País Basco e Catalunha, estão entre os mais enriquecidos do Estado Espanhol, e uma ruptura abalaria a economia espanhola de maneira drástica. E por um capital político a ser arriscado pelo partido que esteja governando, já que abriria brechas no sentido da independência de outros povos.
Na perspectiva internacional, isso poderia abrir precedentes, como o caso do Kosovo, ou Tibet, se outros países decidem por reconhecer o direito à independência de País Basco ou Catalunha.
O Estado Espanhol é uma construção relativamente jovem, data dos séculos XV e XVI, quando os “reis católicos”, Isabel e Fernando, unificaram o território. Ainda assim, cada região mantém suas características, como língua, comida, cultura em geral, e as formas de governo são um pouco distintas, dependendo da força política que cada comunidade autônoma tenha.
Mas, a independência não é interesse somente de esquerdas, também há grupos de direita organizados, como por exemplo o Partido Nacionalista Basco (PNV).