A disputa pela Presidência da Câmara ganha, durante o recesso, um novo contorno diante da mobilização dos candidatos Aldo Rebelo (PC do B) e Ciro Nogueira (PP-PI). Sem uma posição oficial do Planalto quanto à disputa, ambos aproveitam para minar a candidatura do peemedebista Michel Temer (SP), tido como favorito à sucessão do petista Arlindo Chinaglia. Aldo e Ciro reuniram-se, nesta terça-feira, para ações conjuntas de convencimento junto à base eleitoral.
Durante a reunião, pela manhã, Aldo e Ciro avaliaram o cenário político e disseram aos jornalistas que os acompanhavam que a sucessão na Câmara passa, inegavelmente, pelo acordo que irá definir o candidato majoritário à Presidência do Senado.
– O PT não vai abrir mão das duas Casas. Agora, o que não sabemos é se uma eventual traição dos petistas vai beneficiar a campanha do Aldo ou a minha – afirmou Ciro Nogueira, considerado um dos nomes preferidos pela bancada conhecida como Baixo Clero, que reúne deputados sem maior expressão no cenário político nacional.
Até agora, duas candidaturas foram lançadas no Senado: O petista Tião Viana (AC) e o atual presidente da Casa, Garibaldi Alves (PMDB-RN), colocaram-se à reeleição. Para o deputado do PP, uma falta de entendimento entre as legendas poderá levar o PT a romper o acordo que, até agora, conduz Temer à direção da Câmara.
Correndo por fora, o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) também passou o dia em Brasília em busca de apoio dos colegas que acabam de chegar à Casa. Para o parlamentar, que se destacou na CPI do Propinoduto, a renovação nesta legislatura é de cerca de 45% dos 513 deputados da Casa. Ele aposta no discurso da mudança para tentar amealhar alguns votos entre os estreantes.
– As pesquisas mostram que a população não está convencida sobre o tanto que trabalhamos aqui na Câmara. É preciso mostrar o que fazemos. É isso que eu defendo, trabalhar e informar a opinião pública. Acho que a Câmara está acanhada – disse Serraglio a jornalistas.
Medidas Provisórias
Candidato petista ao Senado, Tião Viana (AC) encampou, em carta endereçada aos colegas, as críticas quanto ao excesso de medidas provisórias editadas pelo Executivo. Segundo Viana, a questão precisa ser discutida e ele prometeu levar o tema adiante, caso seja eleito em 2 de fevereiro. Na carta, Viana chama de "gana legiferante do Executivo" a edição massiva das MPs e afirma que o excesso desse artifício trata-se da "perfeita ilustração" deste fato.
Ainda segundo o petista, a suposta pressa para a tomada de decisões, o que leva o Planalto a editar MPs, um dispositivo de teor imediatista, não explica "o atropelo dos procedimentos inerentes à democracia representativa, ou seja, a usurpação do campo de atuação do Poder Legislativo".
Tião Viana toma, com a ação junto à base eleitoral, uma das principais bandeiras do adversário e atual presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), também candidato à reeleição.