O presidente do Sindicato dos Produtores Florestais e Reflorestadores do Estado do Pará, Mário Rubens de Souza Rodrigues, confirmou, nesta quinta-feira, na CPI da Biopirataria as denúncias de que madeireiros estavam sendo beneficiados com a liberação da extração de madeira de forma ilegal em troca de apoio político a candidatos do PT no Pará.
Ele explicou que, para extrair madeira, é necessária uma autorização de transporte de produtos da floresta e que esse documento estaria sendo liberado para integrantes da Associação dos Madeireiros de Anapu e Pacajá.
Esses madeireiros transportariam a carga ilegal em caminhões identificados por um adesivo com os seguintes dizeres: "oPTante do plano safra legal 2004".
A revista Veja publicou essa denúncia na semana de 14 de junho. Rodrigues apresentou aos parlamentares cópia de um ofício encaminhado à presidência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), anterior à reportagem da revista, denunciando a existência do esquema. Ele disse que fez a denúncia porque os produtores filiados ao Sindifloresta negaram-se a participar do esquema.
O analista ambiental do Ibama em Altamira (PA) Carlos Renato Leal Bicelli, que também está depondo na comissão, disse aos parlamentares que em 2004 fez um relatório de vistoria em dez propriedades no Pará e verificou que nesses locais não havia mais madeira. Após as denúncias da Veja, os madeireiros que aderiram ao "plano safra legal 2004" apontaram justamente a área vistoriada por Bicello como sendo o local de onde teriam tirado a madeira.
- A madeira deve ter sido tirada de outro lugar e documentada como sendo de lá - especulou o analista.
Bicelli disse ainda que Ibama apreendeu 37 mil m³ de madeira sem documentação em Anapu, exatamente das madeireiras que participaram do "plano safra legal 2004".
Esquema que beneficia PT no Pará é confirmado na CPI
Quinta, 30 de Junho de 2005 às 09:15, por: CdB