Esposa e filho de cineasta continuam hospitalizados
A viúva de Eduardo Coutinho, Maria das Dores, e seu filho Daniel continuam internados no Hospital Municipal Miguel Couto, depois de passarem por cirurgias.
Segunda, 03 de Fevereiro de 2014 às 08:37, por: CdB
Daniel está internado sob custódia da polícia, já que está preso em flagrante e deve responder pelos crimes de homicídio e tentativa de homicídio
A viúva de Eduardo Coutinho, Maria das Dores, e seu filho Daniel continuam internados no Hospital Municipal Miguel Couto, depois de passarem por cirurgias. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, eles estão na Unidade Intermediária em situação estável mas ainda precisando de cuidados médicos.
Psicólogo da polícia
Psicólogo da Polícia Civil foi ao Hospital Miguel Couto, na Gávea, na Zona Sul do Rio, nesta segunda-feira, para tentar ouvir Daniel Coutinho, de 42 anos, apontado como o responsável pela morte do pai, o cineasta Eduardo Coutinho na manhã deste domingo. Daniel está internado sob custódia da polícia, já que está preso em flagrante e deve responder pelos crimes de homicídio e tentativa de homicídio, contra a mãe, Maria das Dores Coutinho.
Segundo o titular da Divisão de Homicídios (DH), Rivaldo Barbosa, quatro pessoas já foram ouvidas no inquérito sobre o caso. Par o delegado, as testemunhas relataram a dinâmica fora da casa e não há qualquer indício de que houvesse uma pessoa estranha no local do crime. Nesta segunda-feira, bombeiros que participaram do socorro devem prestar depoimento.
Pedro Coutinho, filho do cineasta também será chamado a depor. Foi para ele que a mãe telefonou pedindo ajuda após o "surto psicótico" (como definiu a polícia) do irmão. De acordo com informações do portal G1. O corpo do cineasta, assassinado a facadas, em sua casa, na Lagoa, Zona Sul do Rio, foi velado e enterrado nesta segunda-feira no Cemitério São João Batista, em Botafogo, também na Zona Sul. O corpo chegou na noite de domingo.
Mãe e filho continuam internados em estado estável no Hospital Miguel Couto, na Gávea, na Zona Sul. A Secretaria municipal de Saúde informou nesta segunda-feira que os dois passaram por cirurgia, estão em unidade intermediária, e inspiram cuidados.
Maria das Dores levou dois golpes de faca nos seios, três no abdômen e teve ainda uma lesão no fígado. Já Daniel sofreu duas facadas no abdômen. A polícia acredita que ele tentou cometer suicídio após o crime. O delegado Rivaldo Barbosa, diretor da Divisão de Homicídios, que investiga o caso, disse que o filho do cineasta, preso em flagrante pela morte do pai, bateu na porta do vizinho logo após o crime, "não concatenando as ideias", em um surto de esquizofrenia.
Segundo o delegado, a mãe de Daniel se salvou porque conseguiu se trancar no banheiro após ser golpeada. De lá, ligou para o outro filho do casal, Pedro Coutinho. "A gente espera que a mãe se recupere para poder esclarecer", disse o delegado.
Rivaldo contou que Daniel primeiro golpeou o pai até matá-lo. Em seguida, atacou a mãe, que se escondeu após ser ferida. Ele próprio, então, aplicou dois golpes de faca na barriga, foi até a porta do vizinho e pediu para ele avisar o porteiro. Voltou para o apartamento e ficou lá até a chegada dos bombeiros. "Ele abriu para os bombeiros voluntariamente. O porteiro bateu, ele abriu", explicou Rivaldo, acrescentando que uma vizinha diz ter ouvido gritos.
- Ele cometeu essas atrocidades e bateu na porta do vizinho, não concatenando as ideias, não falando palavras corretas. Ele dizia: 'Eu libertei o meu pai, tentei libertar minha mãe e a mim, mas não consegui'", disse. Segundo o delegado, Daniel tentou suicídio logo em seguida. "Ao que parece, não houve briga. Vamos concluir a perícia em 24 horas para saber a dinâmica dentro do apartamento - disse.
O Corpo de Bombeiros informou que a chamada para a ocorrência no apartamento de Coutinho foi feita às 11h48. Homens do quartel do Humaitá constataram que o cineasta já estava morto ao chegar no local, e levaram os outros dois feridos para o hospital.
Um dos primeiros a se manifestar sobre a morte do diretor foi o também cineasta Cacá Diegues. “Ele era muito respeitado, era um mestre, os jovens cineastas do Brasil respeitavam muito ele. Coutinho era uma pessoa acima do bem e do mal”, declarou. O também diretor de cinema Jorge Furtado ficou chocado com a notícia. "A morte do Coutinho é uma tragédia do cinema brasileiro, ele é um dos maiores documentaristas do mundo, um grande pensador do cinema."
Considerado um dos maiores documentaristas do Brasil, o paulistano Coutinho é ganhador do Kikito de Cristal, principal premiação do cinema nacional, pelo conjunto da obra. Entre seus principais filmes estão Edifício Master, Jogo de cena, Babilônia 2000 e Cabra Marcado para Morrer.
Em junho do ano passado, ele e o também cineasta José Padilha (autor dos filmes Tropa de Elite 1 e 2) foram convidados a integrar a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pela premiação do Oscar.
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