Paul Wolfowitz, um dos principais membros do Governo Bush, e um dos maiores defensores da invasão ao Iraque, já reconheceu que a resistência dos iraquianos é mais forte do que a Casa Branca esperava.
Um número muito maior de soldados e de dinheiro continua sendo usado para conter e tentar colocar ordem no verdadeiro caos em que se tornou o país.
Vários analistas e até mesmo pessoas que trabalhavam em Washington antes da invasão, especulam que um dos motivos de Bush querer invadir o Iraque era se livrar da dependência do petróleo da Arábia Saudita.
A idéia era fazer exatamente o que foi feito até agora. Sai Saddam, entra um governo escolhido pela coalizão anglo-americana.
Contudo, no futuro o "barco pode virar". Se as tais eleições diretas acontecerem mesmo, no começo de 2005 ou em qualquer outro período próximo, os iraquianos provavelmente irão escolher um governo xiita. Simplesmente porque 60% da população é xiita (30% é sunita e 10% é curda).
Xiismo é tudo o que os EUA não querem. Apesar de Iyad Allawi, o atual primeiro-ministro, ser xiita, ele não é um representante fiel do Xiismo, é o que se pode chamar de "xiita de araque". Ele não é muito ligado às tradições e tem um envolvimento bem próximo com a CIA.
Os xiitas defendem que os comandantes do povo muçulmano só podem vir através da geração sangüínea do Profeta Maomé. São mais radicais, e os "aiatolás" vêem dessa vertente.
Os sunitas são mais flexíveis e acham que um muçulmano preparado pode ser um comandante, desde que tenha competência para isso. Não exige uma linha direta de descendência do Profeta. Os "califas" estão aqui incluídos.
A grande maioria dos muçulmanos no mundo é sunita.
O Irã, grande produtor de petróleo, é um país xiita e já foi aliado, mas atualmente, ao lado da Coréia do Norte, é uma grande dor-de-cabeça para os EUA. Nos últimos meses, tem enfrentado problemas com denúncias de que seu programa nuclear para produção de energia tem, na verdade, fins militares.
O que será irônico é o Iraque se tornar um país xiita. Washigton ficará em maus lençóis porque além disso, sua maior aliada "do petróleo na região, a Arábia Saudita, poderá sofrer modificações em sua estrutura política. Há indícios de que, por baixo da Casa de Saud (família real saudita), há um grande queijo suíço, cheio de buracos feitos por aqueles insatisfeitos com os rumos do país.
Um Irã xiita já é problema para os EUA, um Iraque xiita será aterrorizador para a América e para piorar, instabilidade na Arábia Saudita. Só estaria faltando a Coréia do Norte se tornar xiita também.
Contudo, ao que parece, seguindo as últimas pesquisas eleitorais, essa terrível previsão não fará parte dos pesadelos de Kid Bush e sim do espólio deixado para John Kerry.