Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Espionando familiares, autoridades localizaram Mladic

Sábado, 28 de Maio de 2011 às 11:10, por: CdB

Espionando familiares, autoridades localizaram Mladic

Por Aleksandar Vasovic

BELGRADO, 28 de maio - (Reuters) - A rígida vigilância de possíveis ajudantes e familiares, levou à captura de Ratko Mladic em uma casa bagunçada em uma fazenda, onde o fugitivo, suspeito de crimes de guerra foi encontrado sozinho, cercado de remédios, disseram as autoridades no sábado.

"Estabelecemos diversos caminhos, que esperávamos que nos levassem a Mladic: seus companheiros dos tempos de guerra, um grupo de sérvios da Bósnia que moravam na Sérvia que foram ligados a ele no passado e, finalmente, a família dele", disse à Reuters o ministro Rasim Ljajic, encarregado de localizar criminosos de guerra fugitivos.

"Uma dessas pistas finalmente nos levou a Mladic."



Autoridades de segurança que monitoravam as comunicações entre os ajudantes de Mladic, descobriram várias semanas atrás, que familiares estavam ajudando o fugitivo a se esconder, 16 anos depois do fim da guerra da Bósnia, disse, no sábado, uma autoridade envolvida na prisão dele.

O general fugitivo que foi acusado de genocídio durante a guerra da Bósnia, de 1992-95, foi capturado na quinta-feira, em uma casa que pertence ao seu primo.

Ljajic disse que há vários anos recebeu uma informação sobre a localização de Mladic, que levou à mesma casa onde ele foi preso.

"Um homem telefonou há algum tempo e pediu para falar comigo e disse que em um vilarejo perto de Zrenjanin, ele havia visto um carro Golf azul, da Volskwagen, com a placa número 'tal' e que ele pensou ter visto Mladic dentro do carro", disse o ministro.

"Eu passei toda a informação para as agências de segurança, que continuaram a cuidar do caso. Mas aquela pista esfriou."



A autoridade, que não quis que seu nome fosse divulgado, disse que agentes sérvios souberam recentemente que eles estavam chegando perto de Mladic, quando perceberam que um dos seus possíveis ajudantes deu diversos telefonemas e fez repetidas viagens para um vilarejo no nordeste da Sérvia.

"Naquele momento soubemos que algo estava acontecendo e que provavelmente o pegaríamos logo", disse a autoridade à Reuters. "Aumentamos o monitoramento daquele suspeito e ele nos levou ao general."



Ele comparou a operação aos métodos utilizados pela inteligência dos EUA, na perseguição a Osama bin Laden no Paquistão.

"A vigilância eletrônica foi essencial. Nós também reduzimos o número de agentes envolvidos, para minimizar a probabilidade de vazamentos", disse.

Durante a sua prisão no vilarejo de Lazarevo, a cerca de 100 km de Belgrado, Mladic estava armado com duas pistolas, que não usou.

"Mladic estava levando uma vida isolada, ele praticamente nunca saía do seu esconderijo, raramente abria as janelas, o quarto estava uma bagunça, com muitos remédios e comprimidos em cima da mesa", disse Ljajic.

"Ele estava se automedicando. Havia um celular velho, que ele não usava", disse.

"Ele tentou se esconder, saindo de perto da janela, quando viu alguém entrando no jardim, na esperança que a polícia prestasse atenção em uma casa perto da casa onde ele estava", disse Ljajic.

Mladic aguarda a extradição, após uma decisão de um tribunal de Belgrado, na sexta-feira, que determinou que ele está apto a enfrentar a acusação de genocídio no Tribunal Penal Internacional de Haia.

Reuters

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