Espiões alemães em Bagdá ajudaram caças norte-americanos a atingir pelo menos um alvo durante a guerra de 2003, apesar das declarações de Berlim de que não se envolveria no conflito, disse a imprensa da Alemanha nesta quinta-feira. O jornal Sueddeutsche Zeitung e a TV NDR afirmaram que dois agentes do serviço de inteligência BND ficaram no Iraque no decorrer da guerra, alimentando colegas dos EUA com informações.
- Eles nos deram apoio direto. Eles nos deram informações sobre alvos - disse um ex-oficial militar norte-americano, segundo a NDR, que exibirá um programa sobre o assunto nesta quinta-feira.
Ele citou uma ação do dia 7 de abril de 2003 em um subúrbio de Bagdá, onde acreditava-se que Saddam Hussein pudesse estar e que ocorreu após um oficial do BND ter confirmado que havia limosines do lado de fora de um prédio. Pelo manos 12 civis foram mortos na operação. A alegação, se confirmada, poderá envergonhar o ministro das Relações Exteriores Frank-Walter Steinmeier, que foi chefe de gabinete do então chanceler (primeiro-ministro) Gerhard Schroeder e supervisionava os serviços de segurança.
O Sueddeutsche Zeitung citou fontes de segurança segundo as quais o aval para a cooperação do BND foi uma "decisão política" tomada pelo governo de Schroeder após conversas entre o serviço de inteligência e a Chancelaria. A NDR disse que Steinmeier não quis ser entrevistado para o programa. A TV disse que o BND confirmou que dois agentes permaneceram no Iraque, mas negou que eles estivessem envolvidos na ajuda com alvos para bombardeios.