O salto da produção agrícola na colheita de meio de ano não foi suficiente para derrubar o preço do feijão, embora os preços pagos ao produtor já estejam significativamente mais baixos em relação ao valor do primeiro trimestre de 2008, movimento que não reflete na prateleira do supermercado. Os produtores culpam, mais uma vez, os atravessadores pela diferença de cerca de 50% entre o campo e a mesa dos brasileiros. A expectativa do mercado, no entanto, é que os preços recuem nos próximos meses. Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), os preços ao consumidor devem cair, desde que as previsões da produção agrícola se confirmem.
– Nós estamos vendendo a saca com preço de cerca de R$ 150, que pode chegar ao consumidor por R$ 2,50 o quilo, mas está chegando por R$ 5 – afirma Derci Cenci, que planta feijão numa área de 600 hectares no Distrito Federal.
A produção da chamada segunda safra de feijão cresceu 38,2% em relação ao mesmo período do ano passado. A colheita ficou 380 mil toneladas acima da de 2007. Mas, de acordo com Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) da Fundação Getulio Vargas (FGV), o preço do feijão carioca, o mais consumido no país, subiu 14,46% em junho, após três meses seguidos de queda. De 16 de junho a 15 de julho, o feijão preto também subiu 15,45%, segundo a pesquisa. Para a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o aumento em junho foi motivado por uma série de fatores, entre eles, o aumento do consumo.
– Atribuo o consumo mais aquecido ao ganho real do salário mínimo, aos programas sociais e à mudança de pessoas da classe E para a classe C e D – diz João Ruas, analista de mercado da Conab.
A pressão sobre os preços, de acordo com especialistas ouvidos pelo governo, também é motivada pela compra antecipada da colheita por operadores de mercado, que se aproveitam do preço em alta para reforçar os lucros. Quem perde com isso são as donas de casa, como Glécia Carvalho. Ela mora na cidade Estrutural, uma das regiões mais pobres do Distrito Federal, e gasta por mês cerca de R$ 60 para comprar o feijão que alimenta nove pessoas.
– A gente não fica sem feijão. E tá muito caro. Ele não pára de subir. O feijão e a carne são os (alimentos) que mais prejudicam o orçamento. Já tive que deixar de comprar outras coisas para garantir o feijão – reclama.