Especialistas reunidos numa conferência internacional sobre a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars, na sigla em inglês) disseram que será difícil que o vírus da doença seja erradicado. Cerca de mil pesquisadores da área médica, representantes de governos e de organizações internacionais estão participando do encontro em Kuala Lumpur, na Malásia. Durante o encontro, eles têm discutido também a possível origem do vírus da Sars, que matou cerca de 800 pessoas, principalmente no sudeste da Ásia. Um especialista em veterinária australiano, Hume Field, disse à agência de notícias Associated Press que "a erradicação do vírus é altamente improvável". Vírus antigo - Parece que o vírus é muito antigo. Dessa forma, eu não acho que erradicação ou controle do animal-vetor é a questão. A questão é evitar a exposição (ao agente). O consultor de padrões de infecção da OMS (Organização Mundial de Saúde) Nigel Gay afirmou que a atual variedade do vírus Corona, que causa a doença, pode ser erradicada - mas disse que um novo surto poderia ocorrer no futuro. Nesta segunda-feira, a OMS suspendeu a advertência para que viajantes não visitassem a ilha de Taiwan, a fim de evitar risco de contágio, e declarou que a epidemia está sendo contida. Durante o encontro a diretora-geral da OMS, Gro Harlem Brundtland, "na melhor das hipóteses, poderemos ver o desaparecimento da Sars". - No entanto, não sabemos se a doença irá reaparecer no mundo animal e atacar humanos novamente - disse. Um diretor da OMS, David Heymann, também disse durante a conferência que ainda não se sabe ao certo a origem do vírus da Sars. Ele explicou que uma das teorias envolve o almiscareiro - animal do qual é extraído o almíscar (substância usada nas indústrias farmacêutica e de perfumaria), que por sua vez pode ter contaminado os humanos. - O almiscareiro pode ter sido acidentalmente contaminado em um mercado, em que tenha sido mantido em cativeiro com outros animais - disse. - Há muitas, muitas possibilidades. Ou talvez o almiscareiro tenha se transformado num vetor do vírus ao entrar em contato com algo em seu habitat. - É possível que tenha ocorrido da forma contrária: se fezes humanas continham o vírus e um animal entrou em contato com essas fezes, ele pode ter se contaminado. Alerta Outros participantes do encontro disseram que a epidemia de Sars pode ter um efeito positivo, caso ela possa servir para aumentar a conscientização dos governos quanto à necessidade de investir mais na saúde pública. - Eu acho que a Sars foi um bom sinal de alerta. Ela alertou as pessoas quanto às fraquezas (do sistema de saúde), irá nos ajudar a planejar melhor para a próxima vez - disse Alan Schnur, um representante da OMS na China ouvido pela agência de notícias France Presse. Dan Rutz, representante do Centro para Controle de Doenças e Prevenção de Atlanta, nos Estados Unidos, disse que a epidemia de Sars provou que "as doenças infecciosas estão aqui para ficar". - Não podemos ser complacentes e fingir que a Sars vai embora para sempre. Novas doenças virão e nós precisamos ficar vigilantes.
Especialistas são cautelosos sobre a erradicação da pneumonia atípica
Quarta, 18 de Junho de 2003 às 07:02, por: CdB