Especialistas russos não encontraram falhas técnicas no foguete brasileiro que explodiu no Centro de Lançamentos de Alcântara, no Maranhão, em agosto deste ano. Isso reforçaria a tese de que uma descarga elétrica desconhecida acionou os motores. As informações foram repassadas nesta sexta-feira pelo ministro da Defesa, José Viegas.
Viegas falou sobre o acidente durante visita do ministro da Defesa russo, Sergei Ivanov, que enviou especialistas para investigarem a explosão que matou 21 brasileiros no dia 22 de agosto. "Nos estudos realizados pelos técnicos russos, não há deficiências tecnológicas que possam ser facilmente identificadas em nosso programa [espacial]", disse Viegas.
O ministro afirmou que a ajuda dos especialistas russos "consolidou" a suspeita inicial de que o acidente foi causado por uma descarga elétrica desconhecida, que acidentalmente acionou os motores. O lançamento do foguete da base de Alcântara estava programado para alguns dias depois do acidente.
Ivanov disse que os especialistas russos irão ficar o tempo necessário para descobrir as causas do acidente. Viegas afirmou que as investigações podem se estender por meses. Brasil e Rússia assinaram um acordo de cooperação no último ano que incluiria pesquisas espaciais, segundo o ministro brasileiro.
O acidente em Alcântara encerrou a terceira tentativa brasileira de enviar um foguete ao espaço. Nas duas últimas vezes, em 1997 e 1999, os foguetes foram destruídos após a decolagem por causa de problemas técnicos. Todos eles usavam combustível sólido, que é mais inflamável que o líquido.
Viegas afirmou que o Brasil estava trabalhando para desenvolver um combustível líquido mesmo antes do acidente. "É nossa intenção insistir e nós queremos participar do pequeno grupo de países com acesso à tecnologia espacial", disse o ministro. Questionado por repórteres se há intenção do Brasil em desenvolver um submarino nuclear com a ajuda russa, Viegas afirmou que isso nunca foi considerado.
Esta semana, o Brasil divulgou a intenção de enriquecer urânio, o que poderia tecnicamente capacitar o País a produzir uma arma nuclear. O programa proposto é apenas direcionado, entretanto, a garantir suplementos energéticos.