Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Especialistas preveêm crescimento de 3,5% do PIB este ano

Segunda, 28 de Março de 2005 às 09:56, por: CdB

Economistas estipulam para o próximo trimestre que o PIB (Produto Interno Bruto) terá crescimento perto de 3,5%, o que não será afetado nem pela quebra da safra agrícola nem pela elevação dos juros básicos em 1,5 ponto percentual.

Apesar das adversidades no clima e na política monetária, a oferta recorde de crédito e o incansável fôlego das exportações vão garantir algum avanço na atividade econômica nos três primeiros meses de 2005. Na comparação com o quarto trimestre do ano passado, as estimativas variam de 0,4% a 0,8%, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). 

- Estamos projetando crescimento no primeiro trimestre na casa de 0,4% a 0,5%. É mais ou menos o mesmo ritmo do fim de 2004 e, portanto, abaixo do crescimento potencial da economia. Para 2005, nossa previsão é de 3%. Os riscos da continuidade do aperto monetário e de uma piora nas condições de liquidez internacional estão na revisão para baixo desse número - diz o economista Marco Antônio Franklin, da Plenus Gestão de Recursos.

O sentimento geral é de que, neste início de ano, a economia está repetindo o nível moderado de atividade do fim de 2004, já em resposta à alta dos juros, que começou em setembro. Desde agosto do ano passado, a Selic passou de 16% para 19,25% ao ano. O próprio Banco Central (BC), na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), afirma que "a atividade econômica continua em expansão, mas a um ritmo menor".

Em vez da produção de duráveis e bens intermediários, agora, o que está puxando a indústria são os setores de semi e não-duráveis, de carona na recomposição de renda e na oferta de crédito.

Dados do BC indicam que, apenas em fevereiro, o crédito para pessoas físicas cresceu 3,2%. Resultado da expansão dos empréstimos com desconto em folha de pagamento para assalariados e aposentados, sobre os quais a política monetária do BC tem pouco efeito. 

- O número do primeiro trimestre ainda virá um pouco acima do que o mercado espera. Se de um lado há sinais de freio, de outro há fatores positivos, como o consumo crescente e o setor externo - analisa Alexandre Sant'Anna, da ARX Capital Management.

Cláudio Considera, ex-secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, hoje professor do Ibmec-RJ, acha que o crédito será o motor do bom desempenho da economia no trimestre que termina nesta quinta-feira: 

- A economia vai ficar bem, porque o crédito e as exportações estão compensando os problemas com a safra e a austeridade monetária. Espero um primeiro trimestre positivo em cerca de 1%, apontando para algo entre 3,5% e 4% no ano.

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