Os professores da Coppe/UFRJ Átila Freire, PhD em engenharia aeronáutica, e Renato Cotta, PhD em engenharia mecânica aeroespacial, criticaram a Air France e o Escritório de Investigação e Análise (BEA, na sigla em francês) pela demora na divulgação de informações que podem explicar a queda do voo 447, que completou um ano na segunda-feira. As críticas foram feitas durante o seminário internacional sobre segurança aérea, promovido pela Coppe/UFRJ, na Ilha do Fundão. Após o acidente com o Airbus A330 da Air France, que matou 228 pessoas - 58 delas brasileiras -, os professores da Coppe e outros cientistas criaram um grupo para analisar aspectos técnicos de acidentes aéreos.
Freire e Cotta lembram que, um ano depois do acidente, a empresa ainda não explicou porque o piloto não desviou a rota do voo 447, afetada por uma tempestade. No mesmo horário, outros quatro voos evitaram aquele trecho. Além disso, a Air France também não respondeu por que continuou usando em suas aeronaves tubos de pitot que apresentavam problemas no funcionamento. Os tubos e informam ao piloto a velocidade do avião. "Outra coisa que precisa ser esclarecida, é por que o piloto, com um equipamento tão moderno, não conseguiu controlar o Airbus ao entrar na tempestade", questiona Freire.
Uma das vítimas era filha do professor Cotta, a médica Bianca Cotta, de 25 anos, que viajava em lua de mel com o marido, o procurador federal Carlos Eduardo Lopes de Mello.
Desde o acidente, Cotta cancelou 18 compromissos por não andar mais de avião. Na semana passada, para receber a Ordem Nacional do Mérito Científico das mãos do presidente Lula, em Brasília, ele enfrentou três dias de viagem de carro.
Na manhã desta terça, cerca de 80 pessoas, entre funcionários da empresa aérea, amigos e parentes das vítimas, participaram de uma missa na igreja Nossa Senhora da Paz, em Ipanema. O evento, a pedido dos familiares, foi fechado à imprensa.
À tarde, os familiares depositaram flores no memorial às vítimas, no Parque Penhasco Dois Irmãos, no Leblon. Homenagens também foram feitas em Paris, onde cerca de mil familiares e amigos das vítimas, entre eles muitos brasileiros, se reuniram no Parc Floral e no Cemitério Père Lachaise.