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Controvérsia sobre diagnóstico
Apesar do aumento da venda de metilfenidato, om psiquiatra Paulo Mattos, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), avalia que ainda há um subdiagnóstico dessa doença no país, ou seja, muitas pessoas que sofrem do transtorno não recebem a medicação adequada. "Menos de 20% dos pacientes com TDAH no Brasil estão em tratamento", afirma.
Em 2010, quase 185 mil pacientes com o transtorno estavam em tratamento. Um estudo publicado naRevista Brasileira de Psiquiatria, do qual Mattos foi um dos autores, estima que mais de 924 mil brasileiros sofram desse transtorno.
Segundo Mattos, o metilfenidato é a única alternativa para o tratamento da doença. "Apenas em casos mais leves seria possível empregar psicoterapia, mas, em geral, quando os casos são mais leves, tende-se a não dar o diagnóstico formal de TDAH", diz.
O metilfenidato é um estimulante do sistema nervoso central que pertence à família das anfetaminas. Seu objetivo é melhorar a concentração, diminuir o cansaço e auxiliar no acúmulo de informações.
Tratar as causas
Apesar de ser a substância indicada para o tratamento do TDAH, a pediatra Maria Aparecida Moysés, da Unicamp, contesta seu emprego e não receita ritalina a seus pacientes.
Segundo a médica, o metilfenidato eleva o risco de crises psicóticas, suicídios e pode até viciar. Ele afeta também o sistema cardiovascular, podendo causar taquicardia, hipertensão e até mesmo parada cardíaca. Além disso, quando tomado por mais de três anos, o paciente pode desenvolver transtorno bipolar, afirma a especialista.
- Está se perdendo de vista que o comportamento de uma pessoa é uma manifestação de como ela está na sua relação com o mundo, com a vida. Se esse comportamento está tão fora dos padrões, talvez seja uma manifestação de que essa pessoa precisa de ajuda. São crianças que estão passando por um sofrimento psíquico - diz Moysés.
Por isso, a pediatra recomenda identificar as causas que estão levando a essa mudança de comportamento para então tratá-las. "Pode até ser que haja um transtorno, mas antes precisa ser comprovado se esse transtorno realmente existe", considera.
A psicóloga Luciana Vieira Caliman, da Universidade Federal do Espírito Santo, também defende um tratamento amplo para o TDAH, identificando e intervindo nas causas do transtorno. "Não adianta dar só a medicação. Ela é um dispositivo de cuidado, mas, por esse transtorno ser tão complexo, é preciso pensar numa intervenção complexa, junto com a família e o meio", afirma.
Especialistas alertam aumento de 800% no consumo de ritalina
O consumo de metilfenidato, conhecido popularmente como ritalina, aumentou mais de 800% no Brasil em dez anos. A substância é indicada para o tratamento do transtorno de deficit de atenção e hiperatividade (TDAH), que atinge sobretudo crianças e adolescentes. O diagnóstico da doença é contestado por alguns especialistas, que também alertam para riscos do uso do metilfenidato no tratamento.
Segunda, 18 de Agosto de 2014 às 06:57, por: CdB