Um agente de segurança russo morreu na madrugada desta quinta-feira quando tentava desativar uma bomba com a qual uma mulher pretendia entrar em um café situado numa das principais avenidas de Moscou, informou a polícia local.
A tentativa de atentado ocorre cinco dias depois de duas mulheres-bomba terem se suicidado e matado outras 14 pessoas durante um festival de rock em Moscou.
O incidente também aparenta representar uma nova tentativa de rebeldes separatistas chechenos de levar sua guerra contra a Rússia à capital do país.
A mulher foi detida depois de seu comportamento ter chamado a atenção de agentes de segurança, disseram autoridades. A sacola levada por ela continha um artefato explosivo e foi deixada na rua.
- Os agentes de segurança estavam atentos - elogiou Valery Gribakin, porta-voz da polícia, em entrevista à emissora NTV. O Serviço de Segurança Federal foi chamado ao local. Um robô movido por controle remoto foi enviado em direção à sacola, mas não conseguiu detonar os explosivos.
Quando um especialista se preparava para tentar desativar o artefato, a bomba explodiu e ele morreu, informou a assessoria de imprensa da polícia de Moscou. O major Georgy Trofimov vestia uma roupa especial quando a bomba explodiu.
O deslocamento de ar o lançou para o meio da rua. A explosão ocorreu por volta das 2h15 locais, depois de o local ter sido esvaziado.
O especialista, que este mês completaria 30 anos de idade, ajudou a desativar no sábado uma parte não detonada de um cinturão explosivo vestido por uma das mulheres-bombas que se suicidaram no festival de rock em Moscou.
A polícia revelou ter sido chamada por volta das 23h30 locais desta quarta, um horário no qual os bares e restaurantes da cidade costumam estar cheios. Konstantin Tarasov, porta-voz do Ministério do Interior da Rússia, afirmou que a mulher detida mora na Chechênia e nasceu em 1980.
Segundo a agência de notícias ITAR-Tass, a mulher se chama Zarema Muzhikhoyeva, tem 22 anos, mora na Chechênia e é viúva. Seu marido teria entrado para as fileiras rebeldes há alguns anos, mas morreu em combate com as tropas russas. A casa da família dela foi destruída durante a primeira fase da Guerra da Chechênia, entre 1994 e 1996.
Tarasov recusou-se a comentar reportagens divulgadas pela imprensa local segundo as quais um homem teria acompanhado a mulher até o restaurante, mas teria conseguido escapar e a polícia agora procurava por ele.
Svetlana Petrenko, uma porta-voz da promotoria pública de Moscou, explicou que os investigadores estão tratando o incidente como um "ato terrorista" e poderia estar ligado à ação das mulheres-bomba de sábado.
Na opinião do ministro russo de Interior, Boris Gryzlov, os dois ataques estão relacionados e foram coordenados por uma "unidade de terroristas com uma liderança comum". Ele não entrou em detalhes. De acordo com Gribakin, o poder de destruição do artefato explosivo era equivalente a 400 gramas de TNT.
Um grande trecho da Rua Tverskaya-Yamskaya - a principal avenida de Moscou - ficou interditado durante boa parte da manhã. Havia estilhaços de vidro no chão e fachadas de metal de empresas estabelecidas nos arredores estavam retorcidas.
A explosão desta quinta e o duplo atentado suicida de sábado ocorreram menos de um ano depois de rebeldes chechenos terem tomado um teatro de Moscou e mantido em cativeiro aproximadamente 800 pessoas.
Após alguns dias de impasse e uma série de ameaças por parte dos extremistas, forças especiais do Exército russo invadiram o teatro e utilizaram um gás venenoso para tirar os rebeldes de ação. No entanto, 129 reféns e 41 extremistas morreram, a maior parte por intoxicação.
A guerra promovida pela Rússia na Chechênia, hoje em seu quarto ano, era muito criticada pelos governos ocidentais. Porém, após os atentados de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos, as críticas reduziram-se