Na próxima semana, quando iniciar a segunda visita à África como presidente da República, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará relançando a política brasileira para aquele continente.
- É uma segunda visita em um pequeno espaço de tempo e certamente isso terá uma grande ressonância na África. Havia uma expectativa de que o Brasil demonstrasse mais interesse com os assuntos africanos - afirmou o assessor de Assuntos Internacionais da Universidade de Brasília, José Flávio Saraiva, em entrevista ao jornal NBr Manhã, tevê a cabo da Radiobrás.
A primeira viagem ao sul da África foi uma incursão característica de parceiros tradicionais do Brasil, disse o professor. A dimensão da visita, agora, é mais política que propriamente comercial e econômica. No caso do Gabão está em jogo o fato de que o ministro de Relações Exteriores daquele país ocupará, a partir de agosto deste ano, a presidência da Assembléia Geral das Nações Unidas.
- Isso é muito importante dentro daquele movimento de concertação política do Brasil voltado para um lugar possível permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. É uma posição mais visível dos interesses brasileiros na cena internacional - disse.
De acordo com José Flávio Saraiva, o presidente também não poderia deixar de comparecer na Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).
- São países pequenos, de economia de pouca relevância do ponto de vista da economia africana, mas são países com os quais nós estamos valorizando a concertação política, a volorização da língua portuguesa como fator estratégico - afirmou.
Ele ressaltou alguns acordos que resultarão dessa viagem do presidente Lula à África. O primeiro é que o Brasil colaborará com a produção de telecentros, no qual o Serpro estará atuando diretamente.
- Tudo que se refere a governo eletrônico, a informação, sociedade, intercâmbio,digamos de informações eletrônicas acessíveis ao grande público. Portanto, a idéia da cidadania e do acesso à informação. Esse é um projeto. O outro é o que já sabemos na área de saúde. O Brasil vem ampliando sua presença na África com a transferência de tecnologia, no caso do retrovirais, de combate à Aids. Fez isso em Moçambique e está agora fazendo nessa visita, no Gabão e também em São Tomé e Príncipe", salientou.