Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Espanha inicia julgamento de suspeitos de atentado

Sexta, 22 de Abril de 2005 às 07:20, por: CdB

O homem suspeito de liderar a Al Qaeda na Espanha e acusado de ajudar os sequestradores dos atentados de 11 de setembro, começou a ser julgado com outros 23 acusados em Madri nesta sexta-feira, no maior julgamento de militantes islâmicos na Europa.

O sírio Imad Eddin Barakat Yarkas, também conhecido como Abu Dahdah, enfrente uma sentença de 62.512 anos sob alegações de "assassinato terrorista" por ajudar os sequestradores a planejarem os ataques a Nova York e Washington em 2001.

Dois outros - o marroquino Driss Chebli e o sírio Ghasoub Al Abrash Ghayoun - também são acusados de ajudar o sequestrador Mohamed Atta durante suas viagens à Espanha em julho de 2001, quando ele teria realizado o planejamento final para os ataques.

O julgamento pode durar meses e é o primeiro feito em um prédio de alta segurança reformado para julgamentos com vários acusados e onde os suspeitos ficarão sentados em um cubículo a prova de balas.

Entre os indiciados está o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, mas a Espanha não poder julgar suspeitos na ausência dos mesmos.

O caso foi preparado pelo juiz espanhol Baltasar Garzon, que investiga a militância islâmica desde 1991 - muito antes dos atentados terroristas executados por radicais islâmicos que mataram 191 pessoas nos trens de Madri em 11 de março de 2004.

O principal juiz da Suprema Corte, Javier Gomez Bermudez, presidirá um painel de três juizes.
Todos os suspeitos, exceto um, são acusados de pertencer a um grupo terrorista, incluindo Tayseer Alouni, um repórter do canal de televisão árabe Al Jazeera que entrevistou Bin Laden pouco depois dos ataques a Nova York e Washington.

- Sou inocente. Qualquer que seja o resultado deste julgamento, eu manterei esta afirmação até a morte - disse Alouni, que ficou em prisão domiciliar por motivos médicos, enquanto os outros foram mantidos na prisão.

- O caso sempre se refere a provas circunstanciais tiradas de telefonemas em árabe que foram mal traduzidos e até mal interpretados pela polícia - acrescentou.

Até agora, a única pessoa que foi condenada é o marroquino Mounir el Motassadeq, que apelou contra a decisão e está sendo julgado pela segunda vez.

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