Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

Espanha enterra seus mortos e se prepara para votar

A Espanha enterrava neste sábado os mortos dos atentados a bomba em Madri, enquanto o número de vítimas subia para 200, trazendo uma atmosfera sombria para as eleições gerais de domingo. A campanha eleitoral foi suspensa desde que dez bombas explodiram em quatro trens lotados de passageiros na quinta-feira, deixando quase 1500 feridos. A identidade dos responsáveis pelos ataques, que pode influenciar o voto no domingo, permanece um mistério. (Leia Mais)

Sábado, 13 de Março de 2004 às 09:10, por: CdB

A Espanha enterrava neste sábado os mortos dos atentados a bomba em Madri, enquanto o número de vítimas subia para 200, trazendo uma atmosfera sombria para as eleições gerais de domingo.

A campanha eleitoral foi suspensa desde que dez bombas explodiram em quatro trens lotados de passageiros na quinta-feira, deixando quase 1500 feridos. A identidade dos responsáveis pelos ataques, que pode influenciar o voto no domingo, permanece um mistério.

O governo disse que o grupo separatista ETA continuava sendo o principal suspeito, mas não descartou a participação de militantes islâmicos vinculados à rede Al Qaeda.

Se for provada uma conexão islâmica, os críticos do governo terão um argumento para mostrar que os atentados foram consequência do apoio do governo espanhol à ocupação norte-americana no Iraque.

Centenas de pessoas compareceram a um velório no ginásio da cidade de Alcala de Henares, de onde partiram três dos quatro trens atingidos pelos ataques e cidade natal de 40 pessoas mortas no incidente.

Cerca de 11 milhões de pessoas, mais de um quarto da população da Espanha, saíram na chuva para participar de um protesto nacional na sexta-feira contra ``o nosso 11 de setembro'', o pior ataque do gênero no país.

Um grupo ligado à Al Qaeda assumiu a autoria dos ataques e o ETA negou a participação -- mas nenhum dos comunicados foi confirmado como sendo legítimo.

Se a Al Qaeda for a responsável, este terá sido o primeiro ataque de peso em um país ocidental desde os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

Caso tenha sido o ETA, significa uma escalada na tática violenta do grupo que matou 850 pessoas em 36 anos e consta na lista de organizações terroristas feita pelos Estados Unidos e pela União Européia.

``O fato de ter sido o ETA ou a Al Qaeda não afeta o repúdio ao terrorismo, mas pode ter diferentes consequências políticas e eleitorais'', disse o jornal El País em seu editorial.

Segundo analistas, a prova do envolvimento do ETA pode beneficiar o partido do governo nas eleições de domingo, devido à sua postura anti-ETA.

Caso tenham sido perpetrados por militantes islâmicos, os atentados poderão ser considerados uma retaliação ao impopular apoio de presidente Aznar à guerra no Iraque.

As investigações estão concentradas na cidade de Alcala de Henares, onde o governo afirmou ter sido encontrado um furgão roubado contendo sete detonadores e uma fita em árabe perto da estação de trem.

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