Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Espanha condena militares salvadorenhos por morte de jesuítas

Segunda, 30 de Maio de 2011 às 13:55, por: CdB

Espanha condena militares salvadorenhos por morte de jesuítas

MADRI (Reuters) - O Tribunal Nacional da Espanha condenou nesta segunda-feira 20 militares salvadorenhos apontados como responsáveis pela morte de seis sacerdotes jesuítas em El Salvador em 1989, um dos episódios marcantes da sangrenta guerra civil no país da América Central que durou 12 anos.

O juiz Eloy Velasco ordenou a busca e prisão internacional para 19 dos acusados - um deles já está preso pelos crimes de assassinato terrorista (crime de Estado) e crime contra a humanidade no caso dos sacerdotes, cinco deles espanhóis e um salvadorenho.

O crime cometido contra os sacerdotes, um deles reitor da famosa Universidade Centro-Americana (UCA), é um dos mais emblemáticos do conflito armado em El Salvador, que viu o grupo de guerrilha de esquerda Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN) enfrentar o Exército Salvadorenho, este com o apoio dos EUA.

O presidente Mauricio Funes, que levou em 2009 pela primeira vez a FMLN ao poder, pediu perdão pelos crimes cometidos em nome do Estado pouco antes de assumir, mas não tomou ações práticas para levar os militares acusados à justiça.

Ao saber da decisão da justiça espanhola, o ministro das Relações Exteriores de El Salvador, Hugo Martínez, disse que quando receber a ordem de prisão dos militares, algo que ainda não aconteceu, o governo vai "passá-la para as autoridades judiciais salvadorenhas".

Ele acrescentou que a Espanha pode optar pela via diplomática para expatriar os militares ou pode decidir atuar via Interpol.

Os sacerdotes Ignacio Ellacuría, Armando López, Ignacio Martín Baró, Juan Ramón Moreno, Segundo Montes e Joaquín López y López, este último de El Savador, foram acusados pelo governo direitista da época de proteger os guerrilheiros da FMLN.

A responsabilidade deste caso foi colocada sobre o coronel Guillermo Benavides, que foi preso com outro coronel em 1992, Yusshy Mendoza. Ainda assim, os dois foram libertados pouco mais de um ano depois, beneficiados por uma lei de anistia.

Junto com os sacerdotes foram assassinadas duas mulheres que faziam trabalhos domésticos na universidade.

A ação na Espanha foi perpetrada em 2009 pela Associação Pró-Direitos Humanos da Espanha e pelo Centro de Justiça e Responsabilidade em nome de Alicia Martín Baró, freira carmelita e irmã de um dos sacerdotes.

(Reportagem de Inmaculada Sanz)

Reuters

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