Rio de Janeiro, 30 de Setembro de 2026

Espaço (mal) ocupado

Segunda, 18 de Julho de 2011 às 12:14, por: CdB

Por Soares 18/07/2011 às 18:06

O ambiente político se encontra infestado por gente da pior espécie: alguns, com problemas na Justiça, se candidatam em busca de impunidade; outros, com dificuldades financeiras, vislumbram no exercício de algum cargo eletivo a salvação de seus negócios privados ...


ESPAÇO ( MAL) OCUPADO
Se os ilustres parlamentares, eleitos por nós e sustentados com os nossos impostos, quisessem de fato combater a corrupção poderiam fazer valer algumas das propostas nesse sentido que estão praticamente paradas no Congresso.

Ao todo, são 116 os projetos - 99 em tramitação e 17 arquivados ? que, entre outros propósitos, pretendem aumentar as penas de condenados por corrupção, mais transparência em gastos públicos e em campanhas, maior rigor na liberação de dinheiro público para obras, maior rapidez em ações judiciais de casos de corrupção e tipificação de novos crimes de corrupção no serviço público.

Se as proposições anticorrupção estão paradas ou tramitam a passos de jabuti é porque de fato não existe interesse da maioria em colocá-las em prática.Se não existe interesse, a conclusão óbvia é que deputados e senadores têm se beneficiado de alguns dos diversos esquemas de malversação de verbas públicas em prática .

Quando se anunciava como principal líder de oposição no país, o ex-metalúrgico Lula foi inspirado ao afirmar que no Congresso havia uma minoria que se preocupava e trabalhava pelo país e uma maioria de uns 300 picaretas que defendiam apenas seus próprios interesses.

Queria com isso dizer que a maioria não possuía compromisso com a causa pública, e estava em Brasília exclusivamente para se locupletar de esquemas fraudulentos, negociatas, mensalões e outras formas de agressão ao erário. Ao chegar ao poder, Lula se aliou aos picaretas do Congresso e se transmutou em chefe de governo conivente, partícipe e, suspeita-se, beneficiário dessa estrutura apodrecida.

É indiscutível que leis anticorrupção são remédios necessários no amenizar o mal. Mas é certo também que não serão suficientes para extirpá-lo, ou reduzi-lo ao mínimo, se não forem acompanhadas de uma mudança de mentalidade, o que leva necessariamente a uma mudança de atores. Infelizmente, a qualificação moral dos atuais políticos coloca em dúvida a sinceridade de propósito e a consistência de projetos que tratam da moralização do setor público.

O ambiente político se encontra infestado por gente da pior espécie: alguns, com problemas na Justiça, que se candidatam em busca de impunidade; outros, com dificuldades financeiras, vislumbram no exercício de algum cargo eletivo a salvação de seus negócios privados , muitos tentam encontrar na política a ponte para a estabilidade financeira e o aumento do patrimônio pessoal e familiar.

Infelizmente, quando não ocupado por cidadãos de bem,o espaço político se torna presa fácil de oportunistas, espertalhões, ignorantes, mal intencionados, e até criminosos. Insistentemente se repete a recomendação de que devemos escolher bem nossos representantes e dirigentes. Recomendação válida e bem vinda, não fosse o fato de que as alternativas que nos são oferecidas, a cada eleição, não nos têm deixado outra opção a não ser anular o voto.
180711

URL:: http://blogdofasoares.blogspot.com

Tags:
Edições digital e impressa