A brasileira Janaina Reis, de 17 anos, foi morta por brincar com o fato de o namorado usar esmalte de unha, de acordo com a amiga dela, Fernanda Gomes, testemunha do crime no sábado passado. Os três estavam conversando numa mesa de piquenique perto da piscina do condomínio onde moram Fernanda e o portorriquenho Juan Rafael Arrieta-Rolon, que confessou o crime.
Fernanda contou que Janaina estava passando base de esmalte na unha e o namorado, Juan, também começou a passar na unha dele.
- Ela brincou com ele, falou que no Brasil quem passa base na unha não é homem. Ele ficou nervoso, foi até a piscina beber água, voltou e sentou do lado dela, depois levantou e disse que ia para casa e voltava logo. Ele voltou, apontou uma arma na cabeça dela e atirou - contou Fernanda, por telefone, de Deerfield Beach, na Flórida, onde mora há dois anos.
Quando a polícia chegou, Janaina já estava morta. Juan confessou à polícia a autoria do crime, mas não explicou os motivos. Ele está detido numa prisão do condado de Broward. De acordo com a Promotoria Pública de Broward, o caso será apresentado ao Grande Júri e região e se Juan for indiciado pelo Grande Júri pelo crime de assassinato em primeiro grau, é possível que seja condenado até a pena de morte.
"Não deu tempo"
Fernanda disse que a amiga nem teve tempo de conversar com Juan.
- Não deu tempo. Ele encostou a arma na bochecha dela e atirou - contou.
Ela disse que saiu para pedir socorro e quando voltou Juan já tinha levantado Janaina do chão e estava segurando a moça no colo, colocando um pano para tentar estancar o sangue.
- Eu perguntei pra ele: o que você fez com a minha amiga?. Ele respondeu: eu só queria dar um susto nela. Ele disse que não sabia que a arma estava carregada. Mas depois eu não falei mais com ele.
No primeiro depoimento que prestou à polícia, ainda no local do crime, Fernanda não disse que Juan foi o autor do disparo:
- Eu fiquei com medo de falar para a polícia, porque estava com medo que ele ou a família fizessem alguma coisa comigo.
Depois, na delegacia, ela contou a versão da entrevista, que levou os policiais a tratarem Juan como suspeito.
A arma utilizada no crime foi encontrada no lago que fica dentro do condomínio onde Juan e Fernanda moram, em Deerfield Beach. Janaina morava com a mãe e o padrasto numa cidade vizinha, Pompano Beach.
Brasileiros chocados
O crime chocou a comunidade brasileira na região, onde vivem cerca de 80 mil brasileiros, um terço da população local.
- Tem locais em que se a pessoa não falar inglês nem espanhol, não tem problema. Dá pra viver só falando português - contou Toni Barros, editor do Jornal 3 News, um quinzenal editado em português, espanhol e inglês em Boca Raton.
Barros contou que a princípio os brasileiros ficaram muito apreensivos, porque pensaram que o assassino também pudesse ser brasileiro. "Havia uma preocupação com a imagem da comunidade e também o receio de que o assassino pudesse ser alguém que convive conosco", contou o jornalista. "Mas depois quando se soube que ele era portorriquenho pelo menos essa preocupação foi afastada", disse.
Janaina era muito conhecida entre os brasileiros, participava sempre de festas e fazia alguns trabalhos de modelo. Há duas semanas, ela participou de um concurso de beleza entre a comunidade brasileira.
O xerife do condado de Broward, Ken Jenne, disse que o envolvimento da comunidade brasileira foi importante para que o caso fosse solucionado rapidamente.