Rio de Janeiro, 14 de Agosto de 2026

Esculturas que seriam leiloadas no Rio de Janeiro voltam para Minas Gerais

Terça, 12 de Agosto de 2003 às 22:15, por: CdB

As três esculturas de anjos barrocos atribuídas a Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, que estavam prestes de serem leiloadas no Rio de Janeiro, chegaram na última terça-feira à noite em Belo Horizonte, por força de um mandado de busca e apreensão expedido pelo juiz Jair Eduardo Santana, da 2ª Vara Cível de Santa Luzia.

As peças foram buscadas pela presidente do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha), Vanessa Brasileiro, acompanhada da procuradora Francisca Boson e da restauradora Maria Ângela Pinheiro, ambas do instituto.
 
Embaladas, as peças vieram nos colos das três, e no desembarque, no Aeroporto da Pampulha, chamaram a atenção dos passageiros. Um policial militar, que faz parte da segurança do Palácio da Liberdade, acompanhou a direção do Iepha.

Os anjos barrocos ficarão sob custódia do Iepha no Museu Mineiro. Um laudo, que não tem data para ser concluído, vai apontar a autoria da obra.
 
Segundo Vanessa Brasileiro, a guarda determinada ao Iepha pela Justiça é provisória e há a possibilidade de as peças serem de algum outro escultor importante entre os séculos XVIII e XIX.

A presidente do Iepha explicou que as peças não poderão ir para o Santuário de Santa Luzia, de onde teria sido retiradas, pelo fato de ainda pertencerem aos colecionador mineiro João Bosco Viana Gonçalves, que atualmente mora no Rio de Janeiro.
 
Vanessa Brasileira disse que uma equipe de especialistas, incluindo restauradores e pesquisadores, vai ajudar a elaborar o laudo.

O leilão das peças estava marcado para terça-feira, na Galeria Leone, no Rio, mas foi impedido pela antecipação de tutela concedida em favor do Iepha e da Associação Cultural e Comunitária de Santa Luzia pela Justiça mineira.
 
O advogado José Carlos Lopes Motta, que representa o proprietário das peças, João Bosco Vianna Gonçalves, garante que vai entrar com recurso nesta quarta-feira, no Tribunal de Justiça de Minas Gerais contra a decisão de custódia das peças.
 
Na terça-feira mesmo, o advogado teve negado pelo juiz Jair Santana um requerimento no qual pedia a revisão da decisão e a revogação da sentença, que foi favorável ao embargo do leilão das obras e à custódia do Iepha sobre elas.

- É importante saber que Minas conseguiu trazer de volta peças importantes e que ajudam a resgatar a história da nossa cultura -  declarou o professor Ricado Lopes, morador de Santa Luzia.

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