O escritor português José Samarago morreu nesta sexta-feira em sua casa em Lanzarote, nas ilhas Canárias, Espanha, aos 87 anos.
Saramago ganhou o prêmio Nobel de Literatura em 1998.
O escritor passou recentemente vários períodos hospitalizado por problemas respiratórios.
Saramago é autor de obras como O Evangelho Segundo Jesus Cristo, A Viagem do Elefante, O Ano da Morte de Ricardo Reis e Ensaio sobre a Cegueira, que foi transformado em filme dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles em 2008.
A fundação que leva o nome do escritor informou que ele estava acompanhado pela família no momento da morte.
– O escritor morreu acompanhado por sua família, despedindo-se de forma serena e tranquila –, informou a Fundação José Saramago em um breve comunicado de cinco linhas.
Segundo a nota, a morte ocorreu às 12h30 – cerca de 8h de Brasília.
De acordo com a imprensa portuguesa, Saramago teve uma noite tranquila, tomou o café da manhã normalmente hoje, mas em seguida começou a passar mal e morreu. A mulher dele, Pilar Del Río, o acompanhava.
No blog do escritor foi postado hoje um trecho de uma entrevista concedida por Saramago em 11 de outubro de 2008 à revista portuguesa Expresso.
– Acho que na sociedade atual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de reflexão, que pode não ter um objetivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objetivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, não vamos a parte nenhuma.
O autor, cuja frágil saúde provocou temores sobre sua vida há alguns anos, publicou no final de 2009 seu último romance Caim, um olhar irônico sobre o Velho Testamento, muito criticado pela Igreja Católica.
Cético e pessimista contumaz, Saramago, que começou a carreira como poeta, levantou sua voz por inúmeras vezes contra as injustiças, a Igreja e os grandes poderes econômicos, que ele via como grandes doenças de seu tempo.
– Estamos afundados na merda do mundo e não se pode ser otimista. O otimista, ou é estúpido, ou insensível ou milionário –, disse o escritor em dezembro de 2008, durante apresentação em Madri de As Pequenas Memórias, obra em que recorda sua infância entre os cinco e 14 anos.
Saramago, nascido em Azinhaga, na região central de Portugal, cresceu numa família de camponeses e há anos fixou residência em Lanzarote, nas Ilhas Canárias (Espanha), onde morava com a tradutora e jornalista Pilar del Río.