Rio de Janeiro, 11 de Maio de 2026

Escritor pode ser preso por falar de genocídio de armênios

Quarta, 31 de Agosto de 2005 às 11:06, por: CdB

O escritor turco Orhan Pamuk, autor de vários best-sellers, pode ser condenado a até três anos de prisão por ter alegado que os armênios sofreram genocídio nas mãos dos turcos otomanos, 90 anos atrás. A informação foi divulgada na quarta-feira por seu editor.

Pamuk foi um dos convidados da Festa Literária Internacional de Parati (Flip) deste ano, que aconteceu em julho. Promotores turcos também estão investigando supostos comentários de Pamuk segundo os quais cerca de 30 mil curdos teriam sido mortos mais recentemente na Turquia, em choques separatistas com as forças de segurança.

- Foi aberto um processo contra Orhan Pamuk que pode resultar numa sentença de três anos de prisão - disse a editora Iletisim Publishing, em comunicado.

Pamuk fez suas observações sobre armênios e curdos em entrevista publicada em 6 de fevereiro deste ano na Das Magazin, o suplemento semanal do jornal suíço Tages Anzeiger.

Na entrevista, o escritor teria dito: "Trinta mil curdos e 1 milhão de armênios foram mortos nestas terras, e ninguém exceto eu tem coragem de falar sobre isso."

Suas declarações suscitaram reações iradas de políticos e nacionalistas turcos na época, e o autor chegou a receber ameaças de morte anônimas.

O publisher da Iletisim, Tugrul Pasaoglu, disse que o promotor público do distrito de Sisli, em Istambul, considerou que as observações de Pamuk violam o código penal turco, recentemente revisto, pelo qual denegrir a identidade turca é crime.

Pasaoglu disse que a primeira audiência do julgamento de Pamuk foi marcada para 16 de dezembro.

A promotoria se negou a comentar o assunto.

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