Rio de Janeiro, 12 de Agosto de 2026

Escritor diz em Paraty que escrever é corriqueiro

Sábado, 02 de Agosto de 2003 às 16:30, por: CdB

O escritor inglês de origem paquistanesa Hanif Kureishif fez o possível para demonstrar que o ato de escrever é corriqueiro, basta ter uma boa história para contar.

- Passo horas sentado no sofá, assistindo futebol - comentou ele, responsável pela lotação completa da primeira palestra desse sábado na Feira Literária Internacional de Paraty, que termina no domingo.

-É um perigo fetichizar o escritor, pois isso é tão fácil como fetichizar os políticos - diz o escritor.

Kureishi leu um trecho de seu mais recente romance, The Body, que será lançado no Brasil pela Companhia das Letras. O livro foge de sua linha inicial de produção, quando buscava ressaltar mais os aspectos étnicos, especialmente os de preconceito.

Trata-se da história de um dramaturgo de meia-idade, que busca um novo corpo, mais jovem, para receber seu cérebro.

O escritor diz que entre outros motivos, o fato de se aproximar dos 50 anos (que completa no próximo ano) o torna mais sensível para assuntos relacionados ao comportamento.

O escritor procurou não valorizar sua função, afirmando que qualquer pessoa pode contar uma história, basta apenas ter tempo para organizar os pensamentos.

- Como temos medo de ficarmos sozinhos, contamos histórias uns aos outros. Com isso, conseguimos manter a cultura viva - diz.

Kureishi também procurou, de forma inteligente, demonstrar que seu aparente mau-humor é, na verdade, uma forma especial de revelar suas inquietações em relação ao mundo.

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