Escolha de caças pelo Brasil é destaque na imprensa estrangeira
Os principais jornais suecos destacaram o anúncio do governo brasileiro pela aquisição de caças Gripen NG, da sueca Saab, para a FAB (Força Aérea Brasileira) em seus sites. O diário Aftonbladet aponta que o acordo com a empresa local Saab foi fechado após os recentes casos de espionagem da NSA prejudicarem negociação com a norte-americana Boeing.
Depois de mais de uma década de negociações, governo opta pela sueca Saab para renovar a frota de caças da FAB
Os principais jornais suecos destacaram o anúncio do governo brasileiro pela aquisição de caças Gripen NG, da sueca Saab, para a FAB (Força Aérea Brasileira) em seus sites. O diário Aftonbladet aponta que o acordo com a empresa local Saab foi fechado após os recentes casos de espionagem da NSA prejudicarem negociação com a norte-americana Boeing. O "Dagens Nyheter" publicou que os aviões Gripen poderão ser montados no exterior, ressaltando o processo de transferência de tecnologia previsto no programa brasileiro.
A notícia também foi destaque nos jornais franceses, que mostravam o desapontamento do país com a escolha de Dilma. O Libération trazia a imagem de um caça em queda ilustrando a manchete "Brasil rejeita o Rafale". Na mesma linha, o "Le Monde" indicava que Brasil desistiu da compra do avião francês.
O governo brasileiro anunciou nesta quarta-feira a compra de 36 caças supersônicos do modelo sueco Gripen, que farão parte da frota da Força Aérea Brasileira (FAB). De acordo com a Aeronáutica, o preço total da aquisição será de US$ 4,5 bilhões, a serem pagos até 2023.
De acordo com o ministro da Defesa, Celso Amorim, que fez o anúncio, a decisão "foi objeto de estudos e ponderações muito cuidadosas". Outras duas empresas, a norte-americana Boeing e a francesa Dassault, disputavam com a Saab, fabricante do Gripen, o fornecimento dos caças ao Brasil.
- A escolha, que todos sabem, foi objeto de estudos e ponderação muito cuidadosa, levou em conta performance, transferência efetiva de tecnologia e custo, não só de aquisição, mas de manutenção. A escolha se baseou no melhor equilíbrio desses três fatores - afirmou o ministro da Defesa, Celso Amorim.
O negócio foi fechado por US$ 4,5 bilhões e os detalhes do contrato, que envolve transferência de tecnologia para o Brasil, ainda serão negociados nos próximos dez meses. O modelo sueco substituirá os atuais Mirage 2000, que serão aposentados este mês. Se a negociação ocorrer dentro do prazo previsto, o contrato deve ser assinado em dezembro de 2014, e a FAB receberá o primeiro caça sueco no final de 2018. Com a desativação dos Mirage 2000, a FAB irá usar os caças F5M até a chegada dos aviões Gripen.
O desenvolvimento do novo modelo existe apenas um protótipo do Gripen NG será feito em conjunto com a FAB e a fabricante brasileira de aviões Embraer e deverá contar ainda com a ajuda de outras indústrias brasileiras, segundo informações da FAB.
O programa para aquisição das aeronaves foi lançado no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 2001, e relançado por seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, poucos anos mais tarde.
Para a aquisição dos caças, o governo abriu um leilão que contou com a participação da francesa Dassault, com o modelo Rafale, da norte-americana Boeing, com o modelo F-18, e da vencedora sueca Saab, com o Gripen.
Em troca, o governo pedia que as concorrentes apresentassem propostas incluindo transferência de tecnologia, o que pesou na escolha final, além do próprio preço. A escolha gerou surpresa, uma vez que ao longo do processo, em 2009, os franceses chegaram a ser anunciados como os escolhidos durante uma visita de Lula à França.
Durante o governo Dilma, o modelo de fabricação norte-americana passou a ser o preferido, mas o escândalo sobre a espionagem dos EUA ao Brasil pode ter afetado a escolha final. “O problema com a NSA estragou tudo para os americanos”, afirmou uma pessoa ligada ao governo brasileiro à agência de notícias Reuters. Desde o início, no entanto, o parecer técnico da FAB indicava preferência pelo modelo sueco.
O presidente da França, François Hollande, visitou o Brasil na semana passada para fazer lobby em favor do Rafale. Já a Boeing abriu um grande escritório no Brasil e nomeou a ex-embaixadora Donna Hrinak para ser sua principal executiva no país.
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