O Carnaval de São Paulo voltou às tradições com a Vai-Vai e a Rosas de Ouro como destaques na noite desta sexta-feira. No ano passado, as primeiras colocações ficaram com escolas que não eram favoritas, mas que acabaram surpreendendo.
Porém a Mocidade Alegre, atual campeã, manteve o bom nível do desfile de 2004 e pode ter chances de conquistar o bicampeonato.
"A Vai-Vai e a Mocidade são duas que vão brigar este ano", disse o professor Auresnede Stephan, 57, que já foi jurado da Liga das Escolas de Samba.
"A bateria da Mocidade teve uma presença marcante e a Vai-Vai mostrou uma grande unidade, principalmente considerando os limites (de recursos) que tiveram este ano", afirmou.
A Rosas de Ouro e a Vai-vai apresentaram os desfiles mais luxuosos, com fantasias, adereços e carros alegóricos bem elaborados e coloridos, conquistando a melhor resposta do público.
A Vai-vai, com o enredo "Eu também sou imortal", retratou o tema da vida após a morte em diferentes culturas e religiões, com carros alegóricos que exploravam diversos povos, crenças e mitos.
Havia desde um carro que remetia às pirâmides do Egito até outro povoado por "bruxos" e "fiéis" de diversas religiões, como muçulmanos, católicos e evangélicos. Apareceu também uma ala composta por pessoas em cadeiras de roda fantasiadas de fantasmas, com lençóis brancos, remetendo ao espírito humano.
O samba-enredo da Vai-vai foi o que mais ecoou pela platéia, que cantava em uníssono com os integrantes da escola.
"O refrão era um refrão forte. Nosso samba levantou toda a arquibancada. Não tenho dúvida de que a escola vai levar dessa vez", entusiasmou-se América Calandriello Jr., diretor da Vai-vai.
A Rosas entrou com o raiar do dia e homenageou a flor que dá nome à escola. Surpreendeu já no carro de abre-alas, com um sistema que jogava pétalas de rosas vermelhas no chão, formando um mar de rosas, nome do samba-enredo, enquanto os destaques atiravam flores em direção à platéia.
No final do desfile, os carros da escola se aglomeraram na dispersão e os responsáveis pela harmonia tiveram trabalho para arrumar espaço suficiente para os últimos integrantes saírem da avenida.
A Mocidade Alegre entrou na passarela com o tema "Clara, claridade... Um canto de luz no Ylê da Mocidade", numa homenagem à cantora mineira Clara Nunes.
A cor branca dominou a primeira parte do desfile, incluindo a comissão de frente, o abra-alas e as baianas que vieram na sequência.
Em seguida, foram representadas as camadas mais pobres da sociedade, incluindo uma com empregadas domésticas, garis e seguranças e um carro alegórico reproduzindo uma favela. O desfile também contou com pessoas que cruzaram o sambódromo jogando capoeira.
"No quesito alegoria, a Mocidade Alegre não tem pra ninguém. Eles conseguiram fazer (as alegorias) com uma riqueza de detalhes e acabamentos impressionantes", opinou Elifas Vicente, 57 anos, ex-carnavalesco da Camisa Verde e Branca.
Entre as rainhas da bateria, a ex-Globeleza Valéria Valenssa conquistou a platéia pela simpatia e o samba no pé na Acadêmicos do Tucuruvi. Outras rainhas de bateria foram a apresentadora Adriane Galisteu, Luciana Gimenez e Eliana, além da dançarina Sheila Mello.
Apesar de não ser uma escola tradicional, a Adêmicos do Tucuruvi conseguiu conquistar a platéia com seu samba-enredo, que fez o público obedecer exatamente o que o refrão pedia: "Levante as mãos pro céu/pode aplaudir...".
A Mancha Verde estreou no Grupo Especial ultrapassando em um minuto o limite máximo de 65 minutos e homenageando a fauna e a flora do estado do Mato Grosso.
"A escola estava bonita, coesa. Se não fosse o problema do tempo, tinha tudo para ser campeã", afirmou Amarildo Pereira, 45 anos, engenheiro mecânico, que trabalha na área técnica do Carnaval.
A torcida, concentrada num único ponto do sambódromo, entoou os hinos da Mancha.
Apesar do entusiasmo das torcidas organizadas, porém, o clima da festa foi menos empolgante que em outro