Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

Escolas dos EUA seguem 'segregadas' 50 anos após caso histórico

Sexta, 14 de Maio de 2004 às 11:07, por: CdB

Muita coisa mudou nos EUA desde que a Suprema Corte do país decidiu pela ilegalidade da segregação racial nas escolas, mas um advogado envolvido naquele processo jurídico disse que a desigualdade ainda marcava o sistema educacional do país.

- Fizemos muitos progressos nos últimos 50 anos, mas ainda não fomos integrados ao centro do país -  afirmou em uma entrevista Oliver Hill, 97, advogado que participou do caso julgado pela Suprema Corte.

No dia 17 de maio de 1954, o principal tribunal norte-americano decidiu por unanimidade que a idéia do "separado, mas igual" usada para defender a criação de escolas exclusivas para negros e para brancos era uma falácia, destruindo assim um dos pilares da segregação racial no país.

A Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP) organizou a ação jurídica, que reuniu 200 autores de cinco casos diferentes de todo o país, entre os quais o caso de Oliver Brown, em Topeka (Kansas), que deu o nome ao processo (o caso ficou conhecido como Brown versus Secretaria da Educação).

A promessa de igualdade na educação pública, porém, ainda precisa ser cumprida, disse Wade Henderson, diretor executivo da Conferência Líder sobre Direitos Humanos, uma coalizão de grupos de minorias, de mulheres, de direitos civis e de trabalhadores.

- Como elemento de uma transformação social, o caso Brown é fundamental - afirmou Henderson - Como marco de uma melhora na qualidade da educação para todos os estudantes por meio da eliminação das escolas públicas segregadas, o caso Brown não foi tão bem-sucedido.

Meio século depois, a distância entre os grupos étnicos ainda é enorme, segundo o Instituto Urbano, que faz pesquisas na área.

Em 2001, os estudantes hispânicos, negros e índios tinham uma chance de cerca de 50 % de se formar no colegial, contra 75 % para os estudantes brancos e 77% para os asiáticos.

Os níveis de pobreza, maiores entre as minorias, são o principal fator a explicar a desigualdade do desempenho escolar dos estudantes, afirmou Henderson.

O estudo de Instituto Urbano descobriu que o número de estudantes formados nos colegiais de "bairros urbanos pobres e racialmente segregados" era de 15 a 18 % menor que o restante.

Uma melhora nos níveis de educação ajudará as pessoas a sair da pobreza, defende o conselheiro geral do Departamento da Educação dos EUA, Brian Jones.

- O desempenho acadêmico não depende necessariamente da cor dos estudantes - afirmou Jones.

Segundo o conselheiro, o controle sobre a qualidade do ensino é algo fundamental e a lei aprovada pelo presidente norte-americano, George W. Bush, em 2002, é uma consequência natural do caso Brown.

A lei exige que os estudantes realizem testes-padrão para determinar se podem ou não passar para a etapa escolar seguinte. As novas diretrizes foram criticadas devido à falta de fundos e devido ao nível muito alto dos testes.

De outro lado, Amy Stuart Wells, professora da Faculdade de Educação da Universidade Columbia, discorda da análise de Jones.

- A grande concentração de pessoas pobres em uma escola é o principal fator a determinar um baixo desempenho escolar - afirmou Wells.

A agenda do governo, segundo a professora, tem sido "criticar as escolas públicas por não terem se saído bem nos testes sem agir para atacar os outros problemas responsáveis por esse baixo desempenho."

Apesar desse panorama algo pessimista, Hill, o advogado do caso Brown, não abriu mão de suas esperanças.

- Estou desapontado - afirmou - Mas continuamos a fazer progressos, um passo para frente, meio passo para trás.

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