Rio de Janeiro, 28 de Outubro de 2026

Escolas de samba do Rio querem carnaval com data fixa

Se os pagãos mortais não vêem a hora de o carnaval chegar logo para aproveitar as folgas e a folia, há uma corrente no mundo carnavalesco carioca se articulando para transformar a festa em data fixa e, ainda, esticar a comemoração para março. (Leia Mais)

Terça, 06 de Novembro de 2007 às 08:35, por: CdB

Se os pagãos mortais não vêem a hora de o carnaval chegar logo para aproveitar as folgas e a folia, há uma corrente no mundo carnavalesco carioca se articulando para transformar a festa em data fixa e, ainda, esticar a comemoração para março. É que esse ano os tamborins começam a batucar no dia 2 de fevereiro.

Os principais argumentos são os prejuízos causados com um mês a menos para o esquenta nas quadras das escolas de samba e com o sumiço dos turistas da cidade depois da quarta-feira de Cinzas.

— A indústria do carnaval vai deixar de se movimentar durante um mês. Vamos perder cerca de R$ 1 bilhão — avalia Hiram Araújo, pesquisador do carnaval e diretor cultural da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa), que defende a estipulação de uma data fixa para a festa.

O presidente da Mangueira Percival Pires concorda. — Sou a favor de uma data no início de março. Isso iria favorecer muito as escolas — endossa ele, que este ano, no entanto, não vai sofrer tanto o impacto do carnaval em fevereiro. Por causa dos Jogos Pan-americanos, a Mangueira antecipou seus ensaios que começaram em julho.

O carnavalesco da Beija-Flor Alexandre Louzada acredita que o carnaval acontecendo no início de fevereiro diminui o faturamento dos ensaios nas quadras e a divulgação dos sambas. A dificuldade, segundo ele, acontece não só no orçamento das escolas, mas na organização dos barracões também. — Para o nosso cronograma é terrível. Os fornecedores não acompanham a nossa corrida contra o tempo — explica ele.

Desfiles de samba em carnaval fora de época

Para Hiram, o ideal seria se os desfiles no sambódromo fossem considerados um carnaval fora de época, sem mexer na data original, que é relacionada com a Quaresma, período de 40 dias que vai da quarta-feira de Cinzas até o domingo de Páscoa.

— A data do carnaval foi marcada no ano 590 depois de cristo, era um período que você poderia comer carne à vontade para se preparar para o jejum que viria depois. Hoje vivemos um carnaval que é uma indústria cultural e não tem nada a ver com a questão religiosa — defende ele.

Para sustentar sua tese, o pesquisador lembra que cidades como Belo Horizonte e Natal não têm tradições carnavalescas, mas contam com carnavais fora de época fortíssimos de público. — Os baianos são os grandes espertos disso, porque fazem o carnaval fora de época o ano inteiro — resume. 

Compensação turística

Turisticamente falando, no entanto, a cidade não é totalmente refém do carnaval. Se o chamado turista de lazer vai embora logo depois da festa, o turista que vem a negócios chega ao Rio mais cedo quando a folia começa antes.

— É ruim para os turistas que viajam a lazer, já que existe menos tempo para se vender isso, mas o turismo corporativo passa a funcionar mais cedo. O turista de lazer fica mais tempo na cidade, vai mais a restaurantes, pega mais táxis, mas o de negócios volta várias vezes ao ano — observa o presidente da Associação Brasileira de Agência de Viagens do Rio (Abav-Rio), Luiz Strauss.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis também não vê motivo para tanta manifestação. Segundo Alfredo Lopes, as cidades do interior do Estado voltadas exclusivamente para o turismo são mais prejudicadas, como Búzios e Paraty. — O turista de lazer tem uma diária mais alta do que o turista de negócios. Mas o Rio não sai totalmente perdedor — afirma.

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