Uma pesquisa sobre a técnica ideal para o cultivo do morango rendeu aos estudantes Wallace Schuenck de Freitas e Wilson Nogueira, do Colégio Estadual Agrícola Rei Alberto I, em Nova Friburgo (Região Serrana), o 3° Prêmio Ciências do Ensino Médio do Ministério da Educação (MEC). Com apenas 18 anos, os jovens produtores comprovam que a linha pedagógica adotada pela escola só tende a gerar frutos. Atenta à vocação agrícola de municípios como Friburgo, Teresópolis e Sumidouro, a Secretaria de Educação mantém nove escolas no campo, aliando o ensino regular com o de técnicas como a fruticultura e pisicultura, entre outras.
O concurso avaliou projetos que contribuem para o desenvolvimento científico em diversas áreas do conhecimento. Wallace e Wilson Nogueira são autores do trabalho “Comparações de tratos culturais no cultivo do morango”, que nasceu da constatação de que a produção de morango no município é muito pequena, apesar de o solo ser propício. Filhos de agricultores, eles contaram com a ajuda de dois técnicos da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio de Janeiro (Pesagro) para realizar as experiências.
– Cultivar morango requer uma técnica muito complexa. Por isso, resolvemos analisar as formas mais adequadas de produção da fruta – explicou Wallace.
Com a vitória dos alunos, a escola recebeu R$ 25 mil. Orgulhoso do desempenho dos estudantes, o diretor do colégio, Antônio Carlos Frossard, estuda como investir a verba em benefício dos 89 estudantes.
– Este prêmio é muito importante para o colégio. É o reconhecimento de um trabalho sério, feito com dedicação e amor. Prova que estamos no caminho certo. Vamos reunir toda a comunidade escolar para decidir de que forma aplicar o dinheiro – frisou.
O educador destacou ainda a importância das unidades escolares agrícolas para a educação pública. Antônio Carlos lembrou que, na região, é comum os filhos trabalharem com os pais agricultores nas lavouras – o que dificultaria a permanência destes alunos em escolas regulares distantes do campo. Daí a necessidade de colégios voltados para a realidade local, que ensinem aos estudantes técnicas agrícolas, fixando-os no campo, sem que disciplinas do currículo do Ensino Médio deixem de ser ministradas.
Apesar de se valer de características regionais, o modelo de ensino conhecido como pedagogia da alternância veio da Europa em meados dos anos 80. Na prática, funciona da seguinte maneira: numa semana, os alunos têm aula no colégio - em salas de aula e no laboratório de informática. Na outra, o processo de aprendizagem continua em casa ou em cooperativas locais, sempre com acompanhamento pedagógico.
Segundo Antônio Carlos, foi o empresário belga Charles Van Hombeeck, morador da região, e o então cônsul-geral da Bélgica no Rio, Victor Bernard, que deram o pontapé inicial para o modelo conquistar espaço no estado. Em 1986, eles fundaram o Instituto Bélgica-Nova Friburgo (Ibelga) - ONG que defende o ensino agrícola – e, em 1994, através de convênio com a Prefeitura de Friburgo, a Escola Família Agrícola. Em 2002, depois da implantação do Ensino Médio, a instituição passou para responsabilidade da Secretaria de Estado de Educação.
Atualmente, os alunos Colégio Rei Alberto I aprendem as técnicas de pisicultura, caprinocultura, fruticultura e horta orgânica, além da produção de mudas de hortaliças através de estufas e o reflorestamento de eucaliptos. A unidade conta com Ensino Médio e Médio Profissionalizante.
Escola Agrícola de Nova Friburgo recebe prêmio do MEC
Terça, 11 de Março de 2008 às 05:36, por: CdB