Por Gerhard Grube 23/05/2011 às 16:40
Escândalos, principalmente quando envolvem sexualidade, é um atirar em pulga para matar o elefante.
O livro "Confissões de um Assassino Econômico" (Confessions of an Economic Hit Man), de John Perkins, fala sobre os métodos usados pelas corporações e serviços de inteligência (CIA, Mossad etc.). Na finalidade de forçar políticos, chefes de entidades e governantes do mundo todo, a dobrar-se aos seus intentos.
(O livro, em inglês, pode ser baixado da Internet).
Suborno, chantagem, ameaça de derrubar o governo, exposição de falcatruas, difamação, apoio nas campanhas eleitorais, escândalos sexuais. Fraude nas eleições, ameaça de morte, envolvimento com drogas, golpe de Estado. Ameaça de seqüestrar familiares, guerra, atentados terroristas, propaganda, cooptação e financiamento de ONGs e entidades sociais, assassinatos.
E assim por diante, coisas de arrepiar o cabelo.
Tudo mais ou menos sabido, ou pelo menos desconfia-se ser assim. John Perkins mostra em seu livro que é verdade, realmente acontece. Oficialmente, mas sempre em surdina. Pois ele mesmo foi um dos contratados para fazer coisas assim.
A primeira tentativa é sempre o suborno, e uma das últimas a guerra. Sempre funciona! Ninguém e nenhum país são verdadeiramente imunes.
Mesmo gente totalmente íntegra é vulnerável. São difamados, caluniados. Monta-se "cama de gato", farsas e falsas acusações. Para pressioná-los e obter o que é desejado.
Escarafuncha-se a vida do sujeito e de entidades, sob todos os aspectos, presente e passado. Para então chantageá-los.
Um exemplo, que isto é verdadeiro:
Hillary Clinton, Secretária de Estado, expediu em Julho 2009 diretiva secreta, (revelada pelo Wikileaks) para os representantes estadunidenses na ONU e para 33 de suas embaixadas, no sentido que obtivessem dados pessoais e profissionais de lideranças das Nações Unidas.
Desde o Secretário Geral das Nações Unidas (Ban Ki-moon), representantes do conselho de segurança, subsecretários e chefes das agências especiais, aos chefes das operações de paz e de missões diplomáticas.
Foram solicitadas informações tais como: número de cartão de crédito, senhas de computador, endereços eletrônicos, telefone, fax, número do "pager", número da conta de "frequent-flyer", dados biográficos e biométricos (impressão digital, imagem da íris do olho, amostras de DNA). Quais os meios oficiais e particulares de comunicação utilizam, as senhas e chaves criptográficas. Etc.
http://www.guardian.co.uk/world/2010/nov/28/us-embassy-cables-spying-un
Mas também os meios de comunicações são muito importantes. Essenciais para difamar, caluniar, divulgar escândalos sexuais e falcatruas e principalmente para moldar a opinião mundial. Novamente Hillary Clinton:
Diante de um comitê do congresso, Clinton justificou seu pedido de verbas extraordinárias, afirmando que as empresas particulares de comunicação estadunidenses não estão dando conta do recado. E que os Estados Unidos deve se empenhar novamente na propaganda. Que é o que eles sabem fazer de melhor.
Segundo ela:
"Durante a guerra fria fizemos um grande trabalho difundindo a mensagem estadunidense. Mas com a queda do muro de Berlin paramos, e agora estamos pagando o preço. Os meios de comunicação particulares não estão suprindo as necessidades."
"Estamos em uma guerra de informações e estamos perdendo. As coisas mudaram muito. Foram-se os tempos em que os meios ocidentais, inclusive BBC e CNN detinham o monopólio de cobertura do noticiário mundial." Etc.
http://rt.com/news/information-war-media-us/
Quem tem uma vida pública ou está no centro das atenções, precisa comportar-se como um santo! Para não dar chance de ser sacrificado pelos seus desafetos. Que certamente não perderão oportunidade de botar a boca no trombone.
Mas, como se diz, ninguém é de ferro. E deitam e rolam os chantagistas.
Vários escândalos sexuais tomaram conta dos meios de comunicações nos últimos tempos, amplamente comentados no mundo inteiro:
ELIOT SPITZER.
Governador do Estado de Nova York. Renunciou em Março de 2008, após ser revelado (pela cafetina brasileira Andréia Schwartz) o escândalo sexual em que se envolveu.
Eliot Spitzer tinha sido anteriormente advogado geral do Estado de Nova York e estava por dentro de muitas das falcatruas financeiras que levaram à crise econômica de 2008. Empenhou-se em denunciar e divulgar o que sabia. O que poderia colocar muita gente na cadeia.
Em plena crise econômica, afetando o mundo inteiro, com empresas quebrando, desemprego, caos nas bolsas de valores etc., eis que de repente nos Estados Unidos, só se falava uma coisa: A ilegal aventura sexual de Eliot Spitzer.
Obrigando-o a renunciar.
JULIAN ASSANGE.
Da Wikileaks, site que liberou documentos secretos governamentais e divulgou o famigerado vídeo "Collateral Murder", soldados estadunidense metralhando civis de um helicóptero Apache, no Iraque.
Acharam pouca coisa de Julian Assange. Só o fato de ele ter transado sem camisinha, nada mais. Mas quem sabe seria suficiente?
Empenharam-se bastante os meios de comunicações. Principalmente as ONGs feministas mundiais: Assange, crápula maníaco sexual!
Multiplicado mil vezes nos noticiários: Transou sem camisinha, é inimigo público número um da humanidade!
Não conseguiram ainda extraditá-lo, nem para os Estados Unidos, nem para Guantánamo. Mas valeu a tentativa.
DOMINIQUE STRAUSS-KAHN.
Indiscutivelmente um neoliberal. Mas, por suas idéias até que progressistas, no comando do FMI, aparentemente tornou-se indesejável, persona non grata (dizem também, que por disputa eleitoral).
O recente escândalo sexual, amplamente divulgado mundialmente, fez com que se retirasse do alto cargo ocupado no FMI.
Citação de Dominique Strauss-Kahn, num discurso na Universidade George Washington há algumas semanas:
"A globalização fez muita coisa... mas também tem o seu lado negro: Um enorme e crescente abismo entre ricos e pobres.
É evidente que necessitamos de uma nova forma de globalização para evitar que a "mão invisível" de um mercado pouco regulado, se torne "punho invisível".
Segundo Joseph Stiglitz (prêmio Nobel de economia):
"Aparentemente um novo FMI está ressurgindo gradual e cautelosamente, sob a liderança de Dominique Strauss-Kahn."
http://www.counterpunch.org/cockburn05202011.html
Escândalos sexuais. Mas pensando bem, o que o pinto tem a ver com a caneta?
Por que uma atividade sexual repreensível (e até ilegal) deveria interferir no que fazem as pessoas administrativamente, assinando cheques, documentos e relatórios?
Estranha moralidade.
Mas não tem jeito, é natureza do ser humano ser assim. E assim vamos vivendo "democracia" e "liberdade". Na base da intriga, fofoca e maledicência. Como as antigas lavadeiras.
(Tem gente que vai dizer que o GG é adepto das teorias conspiratórias.)