Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Escândalo derruba ministro das Finanças francês

Sexta, 25 de Fevereiro de 2005 às 13:34, por: CdB

O ministro das Finanças francês Hervé Gaymard pediu demissão na sexta-feira pelo modo como lidou com um escândalo envolvendo seu luxuoso apartamento, pago com dinheiro público. O escândalo abalou um governo conservador no momento em que força a uma nação inquieta a adoção de medidas impopulares de cortes de gastos.

- Decidi entregar ao premiê minha demissão do cargo de ministro da economia, das finanças e da indústria - disse ele em um comunicado. - Estou ciente de ter cometido erros e de um grave erro de julgamento com relação às condições de meu alojamento oficial.

O gabinete do premiê Jean-Pierre Raffarin disse ter aceitado a demissão, mas ainda não estava claro quando o governo nomearia um substituto para a pasta.

O pedido de demissão foi feito menos de cinco horas antes de Gaymard ir à rede nacional de televisão explicar porque ele, sua esposa e seus oito filhos haviam se mudado para um amplo apartamento, cujo aluguel de 14 mil euros (18.500 dólares) era pago pelo governo.

Ministros franceses têm direito a uma moradia oficial, mas o preço do apartamento de Gaymard, mesmo para o padrão das habitações no centro de Paris, foi julgado extravagante demais por vários críticos assim que veio a público. O aluguel mensal do flat de Gaymard equivale ao salário mínimo anual de um trabalhador na França.

Gaymard, 44, negou ter cometido algum delito, mas saiu do apartamento de 600 metros quadrados, situado em um elegante bairro parisiense, que foi o centro do escândalo na semana passada.

A situação de Gaymard foi agravada por suas prestações de contas incoerentes sobre o estado de suas propriedades e de suas finanças pessoais, fazendo com que Raffarin desse a ele até o fim da semana para pôr fim à controvérsia que estava prejudicando um governo já bastante impopular.

O nível de desemprego oficial -- a maior preocupação dos eleitores franceses -- atingiu os 10%, auge nos últimos cinco anos na França, e a confiança do comércio afundou.

O escândalo envolvendo Gaymard foi bastante prejudicial para um governo atacado pelo crescimento lento, pelo alto desemprego, pelos protestos de rua por causa das reformas econômicas e que ainda enfrenta uma dura batalha para convencer os eleitores a aprovar a Constituição européia em um referendo.

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