O escândalo dos supostos abusos sexuais cometidos por capacetes azuis na África aumentou com o aparecimento de novos casos e de supostas ameaças aos investigadores das Nações Unidas.
As primeiras acusações foram feitas há dois anos, mas só agora a ONU reconheceu a existência do problema e tomou medidas contra os supostos culpados.
Na sexta-feira, a organização mundial suspendeu dois capacetes azuis enviados em Burundi por supostas condutas sexuais inadequadas, não detalhadas, mas aparentemente isso é a ponta do iceberg.
A ONU afirmou que investiga mais de 150 pessoas de sua missão na República Democrática do Congo, sua maior operação de paz na África, e confirmou que apreendeu fotos e vídeos pornográficos.
Um relatório confidencial da organização indica 68 casos de supostos estupros, prostituição e pedofilia por parte de capacetes azuis de Uruguai, Tunísia, África do Sul, Paquistão, Marrocos e Nepal, segundo informou o jornal The Washington Post, que teve acesso ao documento.
Além disso, soldados dos três últimos países teriam ameaçado os investigadores da ONU e tentaram subornar testemunhas.
"O abuso e a exploração sexual, particularmente de menores, é generalizado", afirma o relatório, segundo o jornal.
O escritório do porta-voz do secretário-geral da ONU não respondeu a um telefonema da EFE sobre o assunto.
No fim de semana, ficaram conhecidas algumas das vítimas das supostas violações. Uma delas é Helen, uma menina de 12 anos que foi estuprada por um capacete azul que a atraiu com um copo de leite, segundo informou o correspondente do The New York Times no Congo.
Outra é uma jovem de 18 anos que foi estuprada na cidade de Bukavu por três soldados sul-americanos, de acordo com o jornal Los Angeles Times.
Segundo esse jornal, não se sabe o número total das vítimas de abuso sexual, pois o preconceito faz as mulheres não o denunciarem.
A ONU confirmou a suspensão de um alto cargo de nacionalidade australiana enviado Congo, visto em um bar com prostitutas enquanto a organização investigava as acusações de abusos sexuais.
Um civil francês que trabalhava para a ONU na cidade de Goma foi enviado no mês passado a seu país de origem, onde foi acusado de pedofilia.
O código de conduta da ONU proíbe seus empregados e os capacetes azuis, que pertencem às forças armadas dos países membros, de pagar ou prestar favores em troca de relações sexuais e mantê-las com pessoas menores de 18 anos.
As acusações aumentarão a pressão sobre a ONU para que controle melhor as ações dos capacetes azuis e seus empregados que estão em países em conflito, onde refugiados e pessoas de minorias são vulneráveis.
A secretária geral para assuntos de manutenção da paz, Jane Holl Lute, reconheceu que as medidas adotadas pela organização são insuficientes para a complexidade e o alto número de operações da ONU.
Em 2001, a organização reconheceu que policiais que trabalhavam em sua missão em Kosovo tinham vínculos com o tráfico de prostitutas e há dois anos um relatório da organização denunciou abusos sexuais de crianças refugiadas de Serra Leoa e Libéria em troca de ajuda humanitária.