O irmão do ministro da Justiça da Colômbia foi preso nesta quinta-feira como parte de um inquérito sobre o crime organizado que liga dezenas de aliados políticos do presidente Álvaro Uribe ao comércio de cocaína do país.
Guillermo Valencia, irmão do ministro Fabio Valencia, era o chefe da promotoria pública da cidade de Medellin quando foi grampeada uma conversa sua que sugeria ligações com um narcotraficante procurado.
Ele nega qualquer acusação e o ministro diz que não irá renunciar.
A prisão acontece enquanto cerca de 60 membros do Congresso colombiano, a maioria da coalizão conservadora de Uribe, enfrentam acusações de utilizarem paramilitares comandados por narcotraficantes para intimidar os eleitores.
Parlamentares democratas dos Estados Unidos bloqueiam no Congresso um acordo comercial com a Colômbia baseados em preocupações de que Uribe ainda não fez o bastante para punir os paramilitares que mataram líderes sindicalistas no país.
A revista colombiana Cambio deu a notícia sobre os grampos telefônicos, levando a procuradoria nacional a investigar suspeitas de que Guillermo Valencia seria ligado ao ex-comandante paramilitar de direita Daniel "Don Mario" Rendon.
Rendon dirige uma de muitas quadrilhas de drogas e extorsão criadas por ex-soldados paramilitares que se desmobilizaram em uma proposta de paz do governo que os ofereceu penas reduzidas em troca da desistência do crime.
- O caso contra Guillermo Valencia foi evidenciado por uma reportagem da imprensa, e não por uma investigação interna - disse o analista político Maurício Romero.
- Isso mostra que a Colômbia ainda tem um longo caminho a percorrer em termos de auto monitoramento de suas instituições - disse Romero.
A Colômbia é o maior produtor mundial de cocaína e viu um aumento de 27% nas plantações de coca para fabricar a droga no ano passado, de acordo com as Nações Unidas.
O irmão do chefe de polícia do país, Oscar Naranjo, está em uma prisão alemã por acusações sobre drogas. Nem mesmo Uribe, apoiado pelos Estados Unidos e famoso por ter conduzido uma ofensiva contra as guerrilhas marxistas do país, escapou dos escândalos familiares.
Seu primo, Mario Uribe, um ex-senador, é acusado de lidar com os paramilitares, que foram organizados nos anos 1980 para ajudar os colombianos ricos a combaterem as guerrilhas.