Rio de Janeiro, 07 de Agosto de 2026

Erir x Chiquinho: novo depoimento confirma versão do militar afastado

Quarta, 18 de Junho de 2003 às 06:37, por: CdB

A presidente do Movimento São Cristóvão em Ação, Pabla Alessandra de Visconde, confirmou nesta terça-feira, em depoimento à Comissão de Segurança Pública da Alerj, que traficantes do Morro da Mangueira tentavam pressionar e interferir nas decisões do ex-comandante do 4º BPM (São Cristóvão), Erir Ribeiro da Costa Filho. Pabla narrou que, em um café da manhã comunitário, três líderes da Mangueira pediram ao tenente-coronel Costa Filho que soltasse um menor detido dias antes. O coronel teria respondido que não aceitaria recado de "moleques". Segundo Pabla, os moradores da Mangueira insistiram dizendo que a "turma" do Morro não estava gostando da ação da polícia. "Depois disso, o coronel Costa Filho se exaltou e disse: ´Se vocês vierem aqui me mandar recado de traficante eu mando prender vocês", relatou. O episódio narrado por Pabla teria acontecido dias antes da exoneração de Costa Filho. "Não tenho dúvidas que foi por pressão política (o afastamento). Por isso vim aqui representar a comunidade de São Cristóvão, que está estarrecida diante do afastamento desse profissional íntegro e eficiente", disse a líder comunitária, entregando ao presidente da comissão, deputado Flávio Bolsonaro (PP), um documento assinado por integrantes da Associação de Moradores e Amigos de São Cristóvão, que pede explicações para o afastamento do comandante. O ex-comandante afirmou, em depoimento à comissão de Segurança, que foi procurado pelo secretário de Esportes e Lazer, Chiquinho da Mangueira, que lhe pedira para "dar uma trégua ao tráfico". Chiquinho nega as acusações, e diz que apenas pediu ao ex-comandante para planejar melhor a ação da polícia em horários de entrada e saída escolar. De acordo com Pabla, nenhuma escola da região fez qualquer denúncia ou queixa em relação à presença da polícia. "Todas as escolas estavam satisfeitas com a atuação dos policiais. Antes do Costa Filho, tinha tráfico de drogas dentro das escolas", denunciou. Em seu depoimento, Chiquinho citara o Centro Dona Neuma como uma das escolas que sofria com o policiamento ostensivo. Na sessão desta terça, a deputada Cidinha Campos (PDT) pediu que a escola fosse investigada. Segundo ela, o Centro Dona Neuma, que funciona dentro do Ciep Nação Mangueirense, é terceirizado e administrado por doadores da campanha de Chiquinho da Mangueira a deputado estadual. Nos próximos dias a comissão deve fazer uma diligência à escola.

Tags:
Edições digital e impressa