Rio de Janeiro, 17 de Agosto de 2026

Equívoco em torno do reajuste do mínimo

Terça, 01 de Fevereiro de 2011 às 11:06, por: CdB

Chama a atenção - gostaria que vocês lessem - o artigo públicado hoje em O Globo, sob o título "Um grande equívoco", do diretor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio (UFRJ), João Sabóia. "Mudar a regra de reajuste do salário mínimo nesse momento é um grande equívoco", conclui o catedrático da universidade carioca.

Ele lembra que, no passado, cada vez que se aproximava o reajuste anual do mínimo, o país passava por intensas negociações no Congresso que descambavam para um de dois caminhos: quando as condições políticas e econômicas eram  favoráveis, o reajuste era mais generoso; em outros momentos ocorria o inverso. Assim, "o mínimo flutuava ao sabor da conjuntura do momento."

Sabóia lembra que entre 2002 e 2010 (governo Lula) o mínimo foi beneficiado por crescimento real de 57% - 6% ao ano - e que parcela deste aumento é resultado da regra fixa negociada pelo governo e o Congresso com as principais centrais sindicais, em vigor desde 2007. A regra estabelece que o mínimo, a cada ano seja reajustado pelo INPC dos últimos 12 meses para corrigir as perdas inflacionárias, e mais um adicional correspondente ao crescimento da economia de dois anos atrás.

Acordo funcionou bem


"O acordo funcionou bem - prossegue o articulista em O Globo - enquanto a economia apresentava taxas de crescimento satisfatórias. Entretanto, em 2009, o país foi atingido pela crise internacional, não tendo apresentado crescimento como nos anos anteriores. O governo respeitou o acordo e o mínimo passou a valer R$ 545,00 a partir de janeiro (valor) mais elevado do que o esperado (se resultante do acordo)."

O valor real do salário está preservado em 2011, mesmo ele não tendo recebido "aumento real como nos anos anteriores, na medida em que não houve crescimento da economia em 2009." Ai, constata o autor "a reação de algumas lideranças sindicais ao novo valor do mínimo tem sido de intensa crítica à proposta governamental, defendendo que o novo SM passe para R$580." O governo está determinado a cumprir o acordo em torno do mínimo e em nenhum momento o negou.

Faço minhas as palavras, na verdade uma boa análise, do Sabóia: "É preciso não se esquecer que, mantidas as regras atuais, em 2012 o mínimo se beneficiará do excelente crescimento econômico ocorrido em 2010 (entre 7% e 8%), podendo atingir algo como R$620. Da mesma forma, outro forte aumento real ocorrerá em 2013 visto que em 2011 a economia caminha para apresentar novamente uma taxa de crescimento bastante favorável."Leiam "Um grande equívoco" em O Globo.


 

 

 

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