As equipes adversárias da Ferrari na Fórmula 1 rejeitaram uma proposta da campeã mundial para limitar os testes e cortar os custos.
"A proposta da Ferrari é completamente inaceitável", disse o chefe da Renault, Flavio Briatore, em uma reunião em Londres.
O proprietário da Minardi, Paul Stoddart, descreveu as propostas, enviadas por fax pela Ferrari já que ela não mandou nenhum representante para a reunião, como "uma piada".
Nove das 10 equipes, incluindo a Sauber, que usa motores Ferrari, concordaram na última corrida do ano, no Brasil, em reduzir os testes durante a temporada para 24 dias.
A Ferrari, que conquistou seu sexto título seguido de construtores, recusou-se a assinar o acordo descrito pelo chefe da equipe Jean Todt na época como um pedaço de papel que deve ser jogador fora.
A equipe italiana resiste a qualquer redução nos testes já que tem suas próprias pistas na Itália e um relacionamento especial com fabricante de pneus Bridgestone.
Algumas vezes a equipe já testou em três circuitos de uma só vez e no mês passado contratou o espanhol Marc Gene, que estava na Williams, como segundo piloto de testes, uma indicação de sua determinação de fazer mais testes do que nunca.
A proposta da Ferrari sugeria restringir os testes durante a temporada para 15 mil quilômetros por equipe para o desenvolvimento do carro, com a obrigação de correr em apenas uma pista em qualquer semana.
Haveria também um limite de 15 mil quilômetros para cada uma das duas fabricantes de pneus.
A equipe destacou que 24 dias de testes com dois carros na pista com uma média de 400 quilômetros por dia totalizariam 19.600 quilômetros.
A fabricante francesa Michelin vai fornecer pneus para sete das 10 equipes no próximo ano, enquanto a Bridgestone tem apenas Ferrari, Jordan e Minardi -- nenhuma das duas últimas realiza muitos testes.
"Nós teríamos 2.142 quilômetros como equipe da Michelin e a Ferrari teria 15 mil. Não é justo", comentou Ron Dennis, da McLaren.
A Ferrari diz que a Michelin poderá reunir muito mais informações de pneus do que eles com sete equipes à sua disposição nos testes.
Questionado sobre o que aconteceria se outras equipes rejeitarem as propostas da Ferrari, Jean Todt disse: "É muito simples, vamos todos ficar livres para testar como e onde quisermos".