Rio de Janeiro, 18 de Setembro de 2026

Equipes de resgate enfrentam dificuldades no Haiti

Quinta, 27 de Maio de 2004 às 17:06, por: CdB

As operações internacionais de resgate no Haiti e na República Dominicana enfrentavam dificuldades nesta quinta-feira, após as chuvas torrenciais que provocaram a morte de 918 pessoas, com centenas ainda desaparecidas. As Nações Unidas e outros organismos de ajuda tentavam chegar com água potável e medicamentos aos povoados mais atingidos, anunciaram funcionários da ONU. Mas o mau tempo dificulta os trabalhos.

Na República Dominicana, pelo menos 339 pessoas morreram e 375 estão desaparecidas, principalmente na localidade de Jimani, segundo informação oficial. No Haiti, o número oficial de mortos chega a 579. O porta-voz da Comissão Nacional de Emergência, José Luis Germán, informou à AFP que há 329 mortos confirmados, 375 desaparecidos e 122 feridos em Jimani, povoado que foi arrasado por uma enchente segunda-feira. Em outras cidades do país, mais 10 pessoas morreram, também devido às chuvas. "Mas este número vai aumentar. O rio Soleil encheu muito. A zona de busca é muito extensa", esclareceu Germán.

No Haiti, as agências de socorro e as ONGs tentam levar alimentos, água e medicamentos às vítimas dos locais mais atingidos, nas regiões de Mapou Belle-Anse e Fonds Verette. Mas o mau tempo dificulta o trabalho dos helicópteros, que tentam levar ajuda.

Uma porta-voz da Secretaria de Coordenação de Assuntos Humanos da ONU disse que uma missão local das Nações Unidas, a Cruz Vermelha e a organização de caridade Oxfam está seguindo em direção a Mapou Belle-Anse, no sudeste do país, com 1,5 tonelada de água e sistemas de purificação do líquido.

Uma equipe integrada por funcionários do Programa Mundial de Alimentos e o Ministério da Saúde do Haiti tinha previsto viajar para Fonds Verette, a nordeste de Porto Príncipe, com alimentos, acrescentou. Duas equipes de socorro da ONU pretendem viajar para o Haiti e República Dominicana sexta-feira para colaborar com os reforços, disse a funcionária da ONU.

No Haiti, membros da força multinacional de paz instalada no país após a queda do governo de Jean Bertrand Aristide em fevereiro também tentava enviar utensílios de emergência às zonas mais danificadas. Ao menos 272 pessoas morreram em Mapou Belle-Anse, outras 100 na região de Grand Gosier, e mais 165 em Fonds Verettes.

O Haiti e a República Dominicana formam a ilha de Hispaniola, que enfrentou 10 dias de chuvas torrenciais que transbordaram os rios da região. Muitas pessoas morreram arrastadas pelos rios enquanto dormiam. Em Jimani, muitas vítimas (não-identificadas) foram enterradas em valas comuns para evitar contagio de doenças, explicou o porta-voz da CNE.

O presidente Hipólito Mejía sobrevoou a área devastada acompanhado do embaixador dos Estados Unidos na República Dominicana, Hans Hertell, informou a encarregada das Relações Públicas da Comissão Nacional de Emergências (CNE), Carolina Oribe. Mais de 32 mil moradores de Jimani tiveram de deixar suas casas e estão em alojamentos. No total, 210 famílias perderam definitivamente suas casas, calculou o CNE.

O departamento de Estado americano confirmou que a Agência americana para o Desenvolvimento internacional doou US$ 50 mil para socorrer as vítimas. Em Nova York, onde vivem cerca de 400 mil dominicanos, o prefeito da cidade, Michael Bloomberg, disse que especialistas em desastres como este viajariam á ilha nesta quinta-feira para avaliar o que é preciso ser feito agora, depois das inundações".

Moradores dos dois países contaram dezenas de histórias sobre como sobreviveram milagrosamente quando o Rio Soleil ou Blanco transbordou na segunda-feira. Bartolina Díaz, 65 anos, contou que chegou a subir na porta de sua casa. Dionisio Méndez, 86, que está cego, foi arrastado um quilômetro pela enchente, mas conseguiu se salvar agarrando-se a uma árvore

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