Rio de Janeiro, 18 de Agosto de 2026

Equipe de psiquiatria infantil da Santa Casa vai ajudar testemunhas do crime da Escola Tasso da Silveira

Sexta, 15 de Abril de 2011 às 10:35, por: CdB

Flávia Villela
Repórter da Agência Brasil

Rio – A psiquiatria infantil da Santa Casa da Misericórdia do Rio e a prefeitura vão criar um grupo de apoio aos alunos que testemunharam o massacre em que 12 colegas foram mortos por Wellington Menezes de Oliveira, na Escola Municipal Tasso da Silveira. A equipe contará inicialmente com 12 psiquiatras, além de voluntários e estudantes da Santa Casa, que vão avaliar as crianças durante um ano.

O chefe do setor de psiquiatria infantil da Santa Casa de Misericórdia, Fabio Barbirato, disse que o serviço começará assim que a Secretaria de Educação der a autorização.

“Quando se trata de transtornos pós-traumáticos, é preciso um intervalo de tempo para avaliar os sintomas, que começam a se apresentar entre dois e seis meses. Quando os sintomas persistem, isso deixa de ser luto e se torna realmente um transtorno. Queremos, a partir desse momento, uma avaliação periódica e, quando necessário, [as crianças] serem atendidas”.

Hoje (15) pela manhã, o psiquiatra americano Timothy Brewerton deu uma palestra na Santa Casa da Misericórdia e observou que é muito importante que as crianças que sofreram o trauma voltem o mais rápido possível à rotina e que os pais devem ouvir seus filhos e tentar identificar suas reais necessidades.

Brewerton ajudou no atendimento dos sobreviventes do massacre de Columbine, nos Estados Unidos, onde dois alunos mataram 13 colegas e feriram 21, em 1999.

“Temos, hoje, tratamentos muito eficazes, tanto com terapia quanto com medicamentos para ajudar crianças e familiares que experimentam esse tipo de trauma, mas é fundamental que os pais deem muito suporte, carinho e façam a criança se sentir protegida e segura. Talvez valha a pena que o pai vá a escola com o filho e fique lá com ele um tempo”.

Barbirato informou que já existe um convênio entre a Associação Brasileira de Psiquiatria e o governo do estado, marcado para começar a ser implementado em julho, com orientações e palestras para pais e professores sobre como tratar distúrbios pós-traumáticos.

A Santa Casa da Misericórdia, por meio da área de psiquiatria infantil, estuda ainda assinar convênio com a Academia Americana de Psiquiatria da Criança e do Adolescente para a criação de um centro que atenda a crianças que sofram de violência, num trabalho de prevenção.

“Não se trata de identificar o problema, mas de avaliar a evolução do problema. Se vai haver ou não o transtorno na infância”, explicou Barbirato. A ideia surgiu nesta semana, durante a visita do presidente da academia, Thomas Anders, que está no Brasil com uma equipe de oito psiquiatras e um psicólogo norte-americanos para conhecer o trabalho desenvolvido por instituições brasileiras na área da psiquiatria infantil.

Segundo Barbirato, Anders se interessou pelo trabalho desenvolvido pela Santa Casa na área de identificação de distúrbios mentais na pré-escola e de treinamento para o tratamento de estresse pós-traumático.

Edição: Lana Cristina
 

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