O diplomata nomeado pelo presidente George W. Bush para ser o embaixador dos Estados Unidos no Iraque disse hoje que o governo não estava "se saindo muito bem" ao tentar convencer os iraquianos de que os americanos não desejavam tomar conta do setor petrolífero do país árabe.
Zalmay Khalilzad, afegão-americano que era até agora o embaixador dos EUA no Afeganistão, fez essa declaração diante de uma comissão do Senado dos EUA. Seus comentários contrastam com as declarações feitas por outras autoridades do governo dos EUA a respeito do Iraque.
"Estamos testemunhando diariamente o sofrimento do povo iraquiano. E os norte-americanos estão horrorizados com os ataques infligidos por terroristas inescrupulosos contra cidadãos comuns", afirmou.
Membros da comissão pertencentes ao Partido Democrata (oposição) e Republicano (governista) deram apoio a Khalilzad, que, segundo disseram, havia feito um grande trabalho ao supervisionar as eleições e a reconstrução no Afeganistão. Antes de ocupar esse cargo, o diplomata era um assessor do secretário de Defesa norte-americano, Donald Rumsfeld.
Khalilzad, cuja nomeação deve ser aprovada pelo Senado norte-americano, ficaria encarregado da operação diplomática dos EUA em Bagdá, substituindo John Negroponte, que assumiu o cargo de diretor geral dos serviços de inteligência do país.
Khalilzad disse que o Iraque estava em uma "encruzilhada" e que, a fim de impedir "os terroristas de materializar seu plano de detonar uma guerra civil total" iria apelar a todas as facções da sociedade iraquiana, entre as quais os sunitas.
Senadores democratas falaram sobre a morte de 80 soldados dos EUA em maio, no Iraque, e da morte de cerca de 12 mil iraquianos nos últimos 18 meses.
Khalilzad ainda aproveitou a oportunidade para rechaçar os boatos de que os EUA tentariam controlar o setor petrolífero do Iraque.
"Posso dizer ao senhor, senador, que não há nenhum plano dos EUA para instalar bases permanentes no Iraque ou nenhum plano de usurpar os recursos iraquianos", afirmou.