Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

Equador exige desculpas sem justificativas da Colômbia

Rafael Correa diz que irá 'até as últimas conseqüências' para defender soberania.

Quarta, 05 de Março de 2008 às 07:22, por: CdB

O Equador acusou a Colômbia de realizar uma "violação planejada e premeditada" de sua soberania durante reunião do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) realizadana última terça-feira.

A ministra das Relações Exteriores do Equador, María Isabel Salvador, pediu que a OEA condene a ação colombiana e convoque de maneira urgente uma reunião de consulta entre os ministros dos países membros.

- O território e a soberania (do Equador) foram objeto de uma violação premeditada - disse a chanceler equatoriana.

Depois de mais de seis horas de negociações, a elaboração final de uma resolução sobre o conflito entre Equador e Colômbia, teve de ser adiado diante da falta de um consenso sobre o texto final. O presidente do Conselho Permanente, Cornelius Smith, convocou os países membros da OEA à meia-noite (horário local) para informar que Colômbia e Equador não chegaram a um acordo. A Organização marcou a próxima reunião está marcada para a tarde desta quarta-feira.

Em Brasília, onde chegou no início da noite desta terça-feira, o presidente do Equador, Rafael Correa, disse em uma entrevista coletiva que, embora defenda que seu país não quer entrar em guerra com o país vizinho, irá até as últimas conseqüências para defender a soberania do país.

Correa disse que só vai restabelecer as relações diplomáticas com a Colômbia caso o governo colombiano peça desculpas sem justificativas pela ação militar realizada em território equatoriano no último sábado. Quito defende que o ataque colombiano em território equatoriano, na madrugada do último sábado, foi planejado.

- Minha pátria foi invadida por um país canalha. Somos um país pequeno, mas vamos nos defender com nossos próprios meios. (...) O massacre já começou. Não vamos cruzar os braços - afirmou na noite da última terça-feira, em Brasília.

Além disso, Correa quer um compromisso formal de que ações desse tipo não vão voltar a ocorrer e que a Colômbia reconheça que montou uma farsa para vincular o governo do Equador ao grupo rebelde Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Para Correa, o episódio pode ser considerado um "massacre" ocorrido a 1,8 km da fronteira, e que o exército da Colômbia recebe ajuda financeira do governo norte-americano e que por essa razão possuem estrutura suficiente para saber onde estavam atuando.

- O presidente Álvaro Uribe não quer a paz. Ele quer a guerra. É um fator de instabilidade para toda a região. (...) Suas mãos estão manchadas de sangue - disse Correa.  

Ele também questiona o fato de as forças colombianas terem conseguido resgatar três computadores "intactos" após o ataque militar.

- Não há assinatura no documento - defende-se.

Visita

Correa está visitando cinco países americanos para defender a versão equatoriana da crise diplomática. Ele chegou ao Brasil depois de passar pelo Peru e deve se reunir nesta quarta-feira, em Brasília, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A crise entre os dois países começou quando a Colômbia realizou um ataque contra as Farc do lado equatoriano da fronteira. No ataque, um alto comandante do grupo rebelde, Raúl Reyes, foi morto.

"Causa justa"

Durante a reunião da OEA, a Colômbia defendeu sua decisão de realizar um ataque contra as Farc em território equatoriano. O embaixador colombiano na OEA, Camilo Ospina, reiterou o pedido colombiano de desculpas pelo bombardeio, mas afirmou que a operação teve uma causa justa.

- Meu país exige que as coisas sejam chamadas por seus nomes: as Farc são uma máfia narcotraficante que em nada representa os interesses do povo colombiano. São uma máfia sem pátria. É pertinente ressaltar que a Colômbia tem sérios indícios de que há atualmente acampamentos das Farc em território equatoriano - disse Ospina.

Para o embaixador a ação militar colomb

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