O Equador acusou a Colômbia de realizar uma "violação planejada e premeditada" de sua soberania durante reunião do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) realizadana última terça-feira.
A ministra das Relações Exteriores do Equador, María Isabel Salvador, pediu que a OEA condene a ação colombiana e convoque de maneira urgente uma reunião de consulta entre os ministros dos países membros.
- O território e a soberania (do Equador) foram objeto de uma violação premeditada - disse a chanceler equatoriana.
Depois de mais de seis horas de negociações, a elaboração final de uma resolução sobre o conflito entre Equador e Colômbia, teve de ser adiado diante da falta de um consenso sobre o texto final. O presidente do Conselho Permanente, Cornelius Smith, convocou os países membros da OEA à meia-noite (horário local) para informar que Colômbia e Equador não chegaram a um acordo. A Organização marcou a próxima reunião está marcada para a tarde desta quarta-feira.
Em Brasília, onde chegou no início da noite desta terça-feira, o presidente do Equador, Rafael Correa, disse em uma entrevista coletiva que, embora defenda que seu país não quer entrar em guerra com o país vizinho, irá até as últimas conseqüências para defender a soberania do país.
Correa disse que só vai restabelecer as relações diplomáticas com a Colômbia caso o governo colombiano peça desculpas sem justificativas pela ação militar realizada em território equatoriano no último sábado. Quito defende que o ataque colombiano em território equatoriano, na madrugada do último sábado, foi planejado.
- Minha pátria foi invadida por um país canalha. Somos um país pequeno, mas vamos nos defender com nossos próprios meios. (...) O massacre já começou. Não vamos cruzar os braços - afirmou na noite da última terça-feira, em Brasília.
Além disso, Correa quer um compromisso formal de que ações desse tipo não vão voltar a ocorrer e que a Colômbia reconheça que montou uma farsa para vincular o governo do Equador ao grupo rebelde Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Para Correa, o episódio pode ser considerado um "massacre" ocorrido a 1,8 km da fronteira, e que o exército da Colômbia recebe ajuda financeira do governo norte-americano e que por essa razão possuem estrutura suficiente para saber onde estavam atuando.
- O presidente Álvaro Uribe não quer a paz. Ele quer a guerra. É um fator de instabilidade para toda a região. (...) Suas mãos estão manchadas de sangue - disse Correa.
Ele também questiona o fato de as forças colombianas terem conseguido resgatar três computadores "intactos" após o ataque militar.
- Não há assinatura no documento - defende-se.
Visita
Correa está visitando cinco países americanos para defender a versão equatoriana da crise diplomática. Ele chegou ao Brasil depois de passar pelo Peru e deve se reunir nesta quarta-feira, em Brasília, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A crise entre os dois países começou quando a Colômbia realizou um ataque contra as Farc do lado equatoriano da fronteira. No ataque, um alto comandante do grupo rebelde, Raúl Reyes, foi morto.
"Causa justa"
Durante a reunião da OEA, a Colômbia defendeu sua decisão de realizar um ataque contra as Farc em território equatoriano. O embaixador colombiano na OEA, Camilo Ospina, reiterou o pedido colombiano de desculpas pelo bombardeio, mas afirmou que a operação teve uma causa justa.
- Meu país exige que as coisas sejam chamadas por seus nomes: as Farc são uma máfia narcotraficante que em nada representa os interesses do povo colombiano. São uma máfia sem pátria. É pertinente ressaltar que a Colômbia tem sérios indícios de que há atualmente acampamentos das Farc em território equatoriano - disse Ospina.
Para o embaixador a ação militar colomb