Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Equador é forçado a desmentir que tenta dissolver Congresso

O governo do Equador foi obrigado na sexta-feira a negar que estivesse planejando dissolver o Congresso, depois que informações sobre um suposto pedido de decretação de estado de emergência assustou mercados financeiros. O Equador mergulhou numa crise política em dezembro, quando o governo substituiu toda a Suprema Corte. (Leia Mais)

Sexta, 15 de Abril de 2005 às 15:13, por: CdB

O governo do Equador foi obrigado na sexta-feira a negar que estivesse planejando dissolver o Congresso, depois que informações sobre um suposto pedido de decretação de estado de emergência assustou os mercados financeiros.

"O governo nacional e o presidente não discutiram, analisaram ou pensaram em decretar emergência ou dissolver o Congresso", disse à Reuters o ministro do Interior, Oscar Ayerve, acrescentando que essas alternativas não serão consideradas no futuro.

O comentário foi feito depois que a rádio local CRE informou que um importante aliado do governo, o ex-presidente Abdala Bucaram, havia pedido ao governo que dissolvesse o Congresso. A notícia assustou os investidores estrangeiros.

Bucaram, cujo apelido é "o Louco", mas cujo partido, o Roldosista, é um aliado importante do governo no Congresso, disse que dissolver o Congresso e decretar estado de emergência era o único meio de pôr fim ao impasse político sobre o controle das Supremas Cortes.

O Equador mergulhou numa crise política em dezembro, quando o governo se aproveitou de uma maioria temporária no Congresso para substituir toda a Suprema Corte, acusada pelo presidente Lucio Gutierrez de agir deliberadamente contra ele.

A oposição, dividida, acusa Gutierrez de agir como um ditador, e organizou manifestações populares. Na noite de quinta-feira, um grande panelaço nas ruas de Quito demonstrou a insatisfação dos cidadãos com o governo.

Os protestos vêm crescendo desde que o novo presidente da Suprema Corte arquivou acusações de corrupção contra Bucaram, permitindo que ele voltasse, em Abril, do Panamá, onde estava exilado havia oito anos. O mandato de Bucaram terminou em meio a um caos, seis meses antes do previsto, em 1997. Ele sofreu impeachment do Congresso, que o dispensou por "incompetência mental."

A instabilidade preocupou os investidores ao ressuscitar lembranças dos conflitos políticos que derrubaram dois presidentes eleitos desde 1997. Mas a maioria dos analistas acredita que Gutierrez, um ex-coronel do Exército que liderou uma tentativa de golpe em 2000, sobreviva.
A disputa gerou um impasse no Congresso que impede o governo de aprovar leis econômicas importantes. Na quinta-feira, o governo disse que pediria à Igreja Católica, a embaixadores estrangeiros e a organismos internacionais que mediassem as negociações com a oposição, em busca de um acordo.

Para tentar encerrar a disputa, Gutierrez propôs uma lei convocando um plebiscito para aprovar um novo órgão que selecione os juízes. A oposição quer demitir a atual Suprema Corte imediatamente. A ONU e os EUA criticaram a demissão dos juízes antigos.

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