O Equador quer saber se a ação contra o acampamento das Forças Revolucinárias da Colômbia (Farc) teve apoio logístico do governo dos Estados Unidos, por meio de sua base em Manta, no território equatoriano.
- A embaixada norte-americana em Quito assegurou que não houve esse envolvimento - disse o ministro da Justiça do Equador, Gustavo Jalkh, em Genebra, nesta quarta-feira.
O ministro adiantou, porém, que Quito não renovará em 2009 o acordo que permite aos EUA o uso da base militar. O governo do Equador fez ainda uma crítica velada aos Estados Unidos e ao fato de a Casa Branca não ter condenado os ataques.
- Negar evidências não é o melhor caminho. Os fatos são graves e não podemos relativizar nada com argumentos como o do combate ao terrorismo - disse Jalkh.
O ministro nega que o acontecimento desta semana tenha tido algum impacto na decisão de não renovar o acordo com os norte-americanos.
- A decisão já tinha sido tomada - assegurou.
A base de Manta foi concedida aos EUA em 1999, depois de Washington ser obrigado a sair do Panamá. Por ano, cerca de 1,5 mil missões de vigilância e patrulha são realizadas a partir da base. Um total de 60% de todas as apreensões de drogas no Pacífico Leste ainda seriam realizadas com base em informação proporcionada pelos aviões que decolam da base militar. Com a decisão do Equador, a Colômbia já indicou que estaria disposta a oferecer uma de suas bases aos norte-americanos.
O governo da Colômbia vem tentando usar a alegação da luta contra o terrorismo como argumento para legitimar sua ação. Quito lembra que a mesma tática foi usada pelos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão.
- Mas nós não somos nem o Iraque, nem Cabul. Não estamos isolados e apenas em 2007 destruímos 47 acampamentos das Farc em nosso território. Nada justifica o que ocorreu - disse o ministro equatoriano.
Jalkh disse ainda que o Equador é um país que não quer a guerra.
- Mas que vai fazer de tudo para defender sua soberania. Um conflito ou não dependerá do outro país (a Colômbia) - afirmou.